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Educador Nota 10

Parabéns aos Finalistas do Prêmio Educador Nota 10 – 2018!

Divulgamos 10 finalistas por dia, entre 04 e 08 de julho. Conheça abaixo os 50 Finalistas do Prêmio Educador Nota 10 - 2018!

ALINE CAMPOS

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Geografia
Frutas brasileiras: suas geografias e sabores
CIEP 408 – Sérgio Cardoso
São Gonçalo, RJ

O projeto associa a investigação científica a um conteúdo pouquíssimo abordado na educação geográfica nas escolas públicas: a biogeografia. Os procedimentos básicos de levantamento de campo ocorreram dentro do sacolão do bairro. Antes da visita, a professora Aline orientou pesquisas em bibliografia específica sobre frutas nativas e exóticas, o estudo de cartografia regional e a construção de questionários para serem aplicados in loco. No sacolão, os alunos do 7º ano experimentaram frutas que nunca tinham provado e aprofundaram o conhecimento sobre a ocorrência e distribuição de frutas nativas dos biomas brasileiros. Eles entrevistaram um comerciante e indagaram sobre os preços, considerando que algumas variedades exóticas são caras. Assim, aprenderam os princípios da biogeografia realizando o estudo espacial da ocorrência das frutas nativas e também entenderam como funciona o comércio dos alimentos na escala local.

ALOISIA LAURA MORETTO

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – Química
Da nascente, água corrente: a história e destino de uma mina
EE Culto à Ciência
Campinas, SP

Os alunos do 1º e 2º ano ficaram intrigados quando notaram que muita água dos encanamentos da escola escoava direto para rede pluvial. Quanto desperdício de recursos hídricos havia ali! Quando souberam o motivo – o descarte do excedente, vindo de uma nascente no subsolo do teatro da escola – , resolveram pensar como propor uma solução para acabar com o problema e ainda por cima beneficiar a comunidade local, que poderia usufruir daquela água. Essa foi a deixa para Aloisia atrelar o interesse da turma a conteúdos da Base Nacional Comum Curricular e organizar um projeto que teve como tema central a água. A turma estudou interpretação dos padrões físico-químicos e biológicos relacionados à potabilidade da água, conceito de nascente e índice pluviométrico na escola, dentre outros pontos. Participando ativamente das atividades, os estudantes até escavaram o solo do terreno atrás do teatro, a fim de encontrar o lençol freático.

ANA BEATRIZ MACIEL

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Geografia
Jovens escritores: Revista Geográfica GL
Escola Estadual Dr. Graciliano Lordão
Natal, RN

Socializar os conteúdos geográficos aprendidos durante o ano por meio de uma revista eletrônica. Foi esse o desafio proposto por Ana Beatriz à turma do 6º ano, depois que ela seus colegas docentes identificaram as dificuldades dos estudantes com a escrita e interpretação de textos. Ao longo do ano, saídas a campo e atividades diferentes que aconteceram em sala, como a montagem de maquetes do sistema solar e a representação do movimento de placas tectônicas com ajuda de alimentos, foram pauta de reportagens e registros fotográficos. A Revista Geográfica GL incluiu produções textuais, cordéis, paródias, perfis de lugares do bairro, opiniões sobre os conteúdos estudados e as festividades da escola. O engajamento na elaboração da publicação digital – que exigiu muita organização pois a escola dispunha de poucos computadores – permitiu o protagonismo dos estudantes e impulsionou as habilidades de leitura e produção de textos de vários gêneros.

ANA CLÁUDIA SANTOS

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – Língua Portuguesa
O ser(tão) de cada um
EE Padre Paulo
Santo Antônio do Monte, MG

Guimarães Rosa é considerado por muitos um escritor que escreve “textos difíceis de ler”. Mas Ana Cláudia criou uma sequência didática para alunos de 3º ano do ensino médio que derruba essa crença. Ela não só despertou nos alunos o gosto por ler e interpretar os contos do autor mineiro, como também acompanhou a turma na descoberta do potencial transformador e humanizador que a literatura tem. Os jovens estudaram os aspectos estilísticos dos textos roseanos, criaram produções orais, refletiram sobre a relação entre a obra e a realidade e trabalharam com stop motion. O impacto do projeto fica evidente nas cartas que a turma foi desafiada a escrever para Guimarães, tal como o escritor Manuel Bandeira o fez.

ANA PAULA MELLO

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Geografia 
O meu lugar: educação e memória de Niterói
Escola Municipal Levi Carneiro
Niterói, RJ

Ana Paula conseguiu fortalecer a relação dos estudantes de 6º e 7º ano, por meio do trabalho de educação patrimonial, com os bens culturais e naturais de Niterói. Em um julgamento prévio, eles disseram que não havia nada a se conhecer no município. Percebendo que seus alunos, apesar de frequentarem a praia de Itaipu, nunca tinham notado a existência de sambaquis, desenvolveu uma sequência didática para contemplar essa situação geográfica e despertá-los para questões ambientais. Desenhos, registros de imagens, oficinas de Arqueologia e uma saída de campo ao Museu de Itaipu contribuíram para entender o valor do patrimôni
o, da paisagem e do lugar. Craque na escuta atenta dos alunos, a professora transformou várias sugestões dadas por eles em atividades, como a montagem de uma horta no pátio da escola, e organizou visitas a outros espaços relevantes do município, como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Museu Janete Costa de Arte Popular.

ANDREA AVONA

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Arte
Viagem com Suassuna pela arte nordestina
Colégio Municipal Gov. Mário Covas Júnior
Santana de Parnaíba, SP

A professora Andrea cativou sua turma do 7º ano com as histórias e o carisma de Ariano Suassuna, um grande defensor da cultura nordestina, e levou-os por um percurso de conhecimento pela arte popular brasileira. Em sua maioria filhos e netos de nordestinos (26 dos 28 alunos da sala!), os alunos foram se encantando com a possibilidade de retratar personagens criados a partir de suas histórias familiares. Assim, dedicaram-se à xilogravura e escreveram textos relacionados às imagens; criaram cabeças e vestiram mamulengos, fantoches típicos do Nordeste, e encenaram com eles uma peça de teatro; e moldaram bonecos inspirados nas cerâmicas de Caruaru. Com a ajuda de muitas boas referências trazidas pela docente, entre objetos, fotos e vídeos, eles travaram contato com manifestações culturais e se lançaram com vontade ao fazer artístico. Em uma exposição de trabalhos realizados ao longo do ano, os familiares admiraram as produções e viram o cotidiano nordestino e suas tradições valorizados na escola.

ANGELA ARAHATA

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – Língua Portuguesa
Projeto Ensaio
Escola da Vila
São Paulo, SP

O ensaio é um gênero do campo das práticas de estudo e pesquisa que pode ser considerado desafiador para os alunos do Ensino Médio. Mas a professora Angela, articulando leitura, produção de texto e análise linguística, cria as condições necessárias para que sua turma de 2° ano enfrente e supere esse desafio. As atividades de leitura que propõe permitem aos estudantes conhecerem mais a fundo o gênero; as aulas de análise linguística exploram principalmente aspectos da estrutura composicional; os procedimentos nas aulas de produção são voltados para o planejamento e preparação das diferentes versões do texto. O tema é livre e o jovem o estuda em profundidade, orientado por um professor com boa formação na área escolhida. Uma carta de intenção, pesquisas, primeira versão do texto, devolutiva dos professores, segunda versão, são as etapas deste trabalho antes do ensaio final.

CÁSSIO PEREIRA

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Gestão Escolar/ Diretor
Conexão atrativa
Escola Municipal Fernando Rodrigues da Silveira
Rio de Janeiro, RJ

Localizada em uma região do Rio de Janeiro marcada por guerras entre facções, a escola de período integral mostrava índices sofríveis antes de 2017, quando o novo diretor promoveu a implantação eficiente das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), alterando a motivação e a aprendizagem dos alunos de 7º a 9º ano. Netbooks antes guardados no depósito foram instalados em bancadas nos corredores, na sala de leitura e até em uma lan house. Um canal de TV transmite a programação exclusiva preparada por alunos, professores e funcionários, com vídeos, informações e reportagens. A equipe realiza passeios culturais e eventos esportivos com os estudantes, que já apresentam melhores notas. Canais como WhatsApp e Facebook informam a comunidade escolar sobre as realizações. As ações são fruto da gestão de uma equipe colaborativa, da otimização de equipamentos tecnológicos e, principalmente, do acompanhamento, monitoramento e avaliação da aprendizagem. Em reconhecimento, a Secretaria Municipal de Educação convidou a unidade, no início de 2018, para integrar o grupo de escolas bilíngues (Português/Espanhol) do município.

CLAUCIA CUZZI

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Ciências da Natureza
Roda D´água
Colégio Nossa Senhora da Glória
Francisco Beltrão, PR

A consciência ecológica e sustentável dos alunos do 6º ano teve início em pesquisas para os tradicionais seminários sobre o tema da água. Mas foi uma observação de Claucia sobre o desperdício gerado pelo ar condicionado que aguçou a curiosidade dos estudantes. Intrigados, eles resolveram investigar o quanto de água se perdia por gotejamento nos 51 aparelhos da escola. Na aula de Matemática, descobriram que os menos potentes (de 12 mil Btus) liberam cerca de 1,2 litros por hora e os de 58 mil Btus, 2,5 litros por hora. Depois de pesquisar quanto custaria coletar a água que se condensa em cada aparelho e calcular o quanto de água poderia ser reutilizada, os alunos convenceram a direção a adaptar todos eles. O líquido, analisado na aula de Ciências, é usado na irrigação da horta e na limpeza. Mas a iniciativa não parou aí: a turma explicou o projeto na Câmara de Vereadores, o que fez um vereador sugerir a uma lei municipal para reutilizar a água dos condicionadores de ar dos prédios públicos da cidade. A proposta passou em todas as comissões, valorizando a atuação dos alunos para além dos muros da escola.

CRISTIANE DIAS

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Língua Estrangeira
We speak the same language
EEB Maria José Hulse Peixoto
Criciúma – SC

A professora Cristiane dribla a ideia de que não se aprende inglês na escola pública. Ela aproveitou a presença de imigrantes ganeses e haitianos na cidade, que tentam se comunicar em inglês, para discutir os antepassados imigrantes dos alunos do 9º ano e a situação de brasileiros que vão trabalhar em outros países, tornando-se estrangeiros. Com isso, mostrou a importância de ter uma língua em comum, trazendo para a aula conteúdos importantes para que as crianças pudessem conversar, pedir ou dar informações a quem precisasse, como a nomenclatura de lugares e as instruções para chegar até eles. Os alunos escreveram diálogos e gravaram suas produções em áudio ou com ajuda de dois aplicativos (Dialoog e Voki) que permitem criar avatares que ‘falam’ o texto digitado com diferentes sotaques. Dessa forma, a professora trabalhou a língua estrangeira dentro das possibilidades dos jovens e sensibilizou-os para temas como empatia, respeito e diversidade.

CRISTIANE RODRIGUES

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Ciências da Natureza
Fogão Solar: um experimento sustentável
EMEF Marechal Bittencourt
Osasco, SP

Fontes de energia sustentável são temas explorados tradicionalmente nas aulas da área de Ciências durante toda a escolaridade, mas ainda são raros os professores que se propõem a trabalhar com o conteúdo na prática. Cristiane foge à regra, não ensina de forma simplesmente expositiva: incentiva os alunos a investigarem e descobrirem com autonomia. Quando estava trabalhando o assunto com a turma do 5º ano, propôs o desafio de construir um forno solar capaz de assar de verdade algum alimento. Para cumprir a tarefa, os estudantes tiveram de fazer pesquisas para saber como montar o equipamento, explorando conceitos de Física Térmica, e se organizarem para encontrar uma boa receita. Para obter um aquecimento satisfatório, eles observaram o movimento aparente do Sol e ajustavam a posição do forno durante o cozimento. A dedicação valeu a pena: o forno funcionou e dele saiu um bolo de iogurte.

DANIELA ARFELLI

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – Língua Portuguesa
O letramento literário para assentados
EE Assentamento Santa Clara
Mirante do Paranapanema, SP

Daniela desenvolveu com os alunos do 1º ano do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos uma sequência didática enfocada no poema. Elegeu o tempo como tema e leu e analisou, com os alunos, textos poéticos sobre esse tema. Com sensibilidade, a professora propôs oralizar, analisar e interpretar textos assinados por Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Mario Quintana e Henriqueta Lisboa. A turma também foi desafiada a escrever os próprios poemas usando recursos da linguagem poética trabalhados nas aulas. Alunos jovens e adultos, moradores assentados do Pontal do Paranapanema, perceberam que o sentido das palavras , às vezes, é insuficiente, para se compreender a fundo um poema: é preciso considerar a combinação cuidadosa que, nos versos, as palavras ganham.

DARJELA CIMA

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(Divulgação/FVC)

Educação Infantil – Crianças bem pequenas
Investigando as sutilezas da vida
EMEI Aldo Pohlmann
Novo Hamburgo, RS

A escola em que Darjela desenvolveu o projeto fica em um espaço privilegiado, com muitas árvores e animais soltos. Mas é no exemplo primoroso de escuta que o ele toma forma. Perguntas das crianças – Essa é a pena do coelho? A galinha dorme deitada? – são o ponto de partida para a observação e a investigação. A professora reconhece a importância do brincar, as descobertas espontâneas dos pequenos de 2 e 3 anos e sabe acolher e encaminhar experiências, valorizando-as. Depois de observarem lagartas e, ao vê-las se transformarem em borboletas, surgiram novas perguntas, que levaram as educadoras a trazer informações sobre o inseto. Além de organizarem de uma saída ao zoológico de Gramado, as professoras bolaram uma visita motivada pela questão: O que será que acontece quando chega a noite em nossa escola? As crianças foram recebidas ao cair da tarde, fizeram atividades e jantaram. Quando chegaram as famílias, todos se dirigiram a um espaço com fogueiras, onde começou uma caça ao tesouro que proporcionou ainda mais encantamento e aventura aos pequenos.

DÉBORA MARTINS

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – História
Abayomi: a luta do negro em stop motion
EE Jardim dos Pires I
Jaú, SP

A professora percebeu que muitos dos alunos do 2º ano do Ensino Médio não se aceitavam como afrodescendentes e não reconheciam o negro na condição escrava como protagonista na luta pela libertação. Para conhecer essa história Débora trouxe uma cuidadosa seleção de documentos históricos, trechos de livros, reportagens e textos acadêmicos que foram estudados em grupos pelos alunos. Em seguida, elaboraram poemas a partir desses estudos, contando as muitas faces dessa história e planejaram animações usando o stop motion. Como personagem todas as equipes confeccionaram a boneca conhecida como Abayomi feita de tecido, nós e sem nenhuma costura. Para o cenário das animações, os grupos pesquisaram imagens pertinentes a parte da história que relatavam. Trabalhos prontos, tudo foi compartilhado e todos, estudantes e professora, aprenderam muito com essa experiência.

DÉBORA SACILOTTO

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Língua Portuguesa
Leitura com gostinho de quero mais
EMEF Francisco Cardona
Artur Nogueira, SP

Débora percebeu que a leitura por obrigação estava se tornando uma tortura para sua turma do 4º ano: ninguém mais queria levar um livro para casa na sexta-feira, pois era preciso preencher uma ficha-resumo.
​A professora retomou o potencial da leitura deleite e passou a ler em capítulos, todos os dias, a obra “O extraordinário” de R. J. Palacio. Após a leitura, ela instigava e estimulava os alunos, criando expectativa… ficava sempre um gostinho de quero mais. O sucesso dessa prática levou a docente a mudar as estratégias. Adotou a leitura deleite todos os dias, aboliu as tais fichas-resumo e ampliou a interação das crianças com os livros levados para casa, dando espaço para que eles fizessem​ suas escolhas,​ indicações na escola, lendo trechos ou contando porque gostaram daquela história. As crianças agora têm real interesse por ler, se divertem, trocam dicas e são usuárias de uma biblioteca pública. Pelas ações da professora a sala de aula se transforma, gradativamente, numa comunidade de leitores.

DESIRÉE CLIMENT

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Língua estrangeira – Espanhol
Artistas Hispanos
Escola Municipal José Veríssimo
Rio de Janeiro, RJ

Estojos, canetas e cadernos estampados com a imagem de Frida Kahlo chamaram a atenção da professora, que questionou se sua aluna sabia quem era aquela pessoa. Diante da negativa, Desirée se deu conta do pouco que os adolescentes conheciam sobre artistas de origem hispânica. Resolveu chamar o professor de Artes e montou uma sequência interdisciplinar para apresentar a vida e a obra de oito artistas: Frida Kahlo, Diego Rivera, Fernando Botero, Joan Miró, Pablo Picasso, Antoní Gaudí, Salvador Dali e Diego Velazquéz. Os estudantes conheceram dados biográficos e as escolas artísticas desses pintores e foram convidados a usar habilidades de leitura do espanhol para compreender os slides e a falar o idioma para analisar obras em classe, com auxílio dos dois professores. A montagem de quadros divididos em formato de quebra-cabeças e o uso de quizzes para verificar a aprendizagem se mostraram adequados na dinâmica de uma turma de 8º ano, que, além de utilizar a língua estrangeira com necessidade comunicativa, ampliou sua cultura geral.

EDLA DE OLIVEIRA

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(Divulgação/FVC)

Educação Infantil – Crianças bem pequenas
Inspirações da Natureza
CEI Marilene dos Passos Santos
Joinville, SC

Pequenos com oportunidade de viver experiências ricas ao ar livre, com mais tempo, respeito à ludicidade e liberdade para explorar, brincar, conviver, conhecer-se, participar e comunicar. Assim é o dia a dia do projeto, em que as crianças de 3 e 4 anos coletam sementes que depois exploram em um observatório com quatro incubadoras, montado na sala. De um sementário, as mudas são plantadas em um pomar. No jardim do CEI os pequenos foram incentivados a coletar galhos, pedras, flores e outros itens que utilizam para criar esculturas, desenhos, castelos e estradas com os colegas, dando vazão à imaginação. A professora abriu espaços, organizou contextos, ofereceu oportunidades de exploração dos elementos, soube propor desafios adequados à faixa etária. A curiosidade de explorar a natureza tornou-se fonte de brinquedo e oportunidade de descobertas, e a conexão com ela proporcionou manifestações criativas e investigações que ampliam, a cada nova tarde, o repertório infantil.

EDUARDO SARROCHE

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Educação Física
Aprendendo o hóquei na Educação Física
EMEF Dom Walter Bini
Lins, SP

Ao explorar esportes na disciplina de Educação Física, o bom professor sabe que é interessante e importante proporcionar aos alunos a experiência com esportes não convencionais. Eduardo desafiou a turma de 5º ano a estudar o hóquei. Além de pesquisar a respeito (inclusive sobre a modalidade paralímpica), os estudantes tiveram a oportunidade de praticar o esporte. Canos de PVC com curvatura na ponta fizeram as vezes do taco e outras adaptações – principalmente em relação ao espaço – também foram realizadas com base em sugestões dadas pelas crianças para que as vivências pudessem acontecer. Com o trabalho que desenvolveu, Eduardo também comprovou que, mesmo em uma escola com poucos recursos, é possível explorar um esporte que requer uso de material.

ELENIR NOVAES

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Matemática
De cor e salteado
Escola Municipal Campos do Amaral
São Sebastião do Paraíso, MG

No início do ano letivo, Elenir achava difícil imaginar seus alunos do 3º ano resolvendo contas de cabeça. Eles não abriam mão da conta armada e se confundiam durante o processo de resolução. Além disso, mesmo alcançando resultados sem sentido, não percebiam seus erros: estavam presos a um fazer mecânico. Diante desse cenário, a professora resolveu trabalhou propriedades das operações e regularidades do sistema de numeração decimal, dando voz às crianças para que explicassem o que haviam pensado para alcançar o resultado. Elenir também trabalhou com a memorização de resultados. Dessa maneira, a turma passou a confiar mais nas próprias possibilidades de resolução e passou a resolver as propostas de forma que compreendesse o que estava fazendo. Agora, todos lançam mão de outras estratégias, como a decomposição e a sobrecontagem.

EURICO ALVES

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – Geografia
Os desafios da mobilidade urbana
Ciep 230 Manoel Malaquias Gurgel da Silva
Nilópolis, RJ

Mesmo que Nilópolis faça parte da região metropolitana do Rio de Janeiro, caracterizado por municipio dormitório, muitos alunos do 3º ano do Ensino Médio do Ciep nunca tinham se deslocado até o centro da capital, muitos nunca tinham ido ao aeroporto. O professor Eurico aproveitou o tema transportes e a maturidade dos jovens, com idades entre 16 e 19 anos, para que se deslocassem – em grupos e acompanhados por um adulto responsável – para uma vivência concreta na mobilidade urbana. A investigação em campo consistia em fazer entrevistas e registros em vídeo com funcionários e usuários dos sistemas de ônibus, trem, mototáxi, metro, entre outros que ligam o subúrbio à capital. O docente proporcionou oficinas de vídeos, mostrou reportagens e fez sugestões para os roteiros, mas valorizou a autonomia dos jovens na realização da pesquisa empírica, na decisão sobre as pautas de entrevistas, os cortes de edição, etc. A experiência de imersão no urbano, além de fazê-los perder o medo da metrópole, é uma conexão importante com a Geografia, pois a mobilidade faz parte do direito à cidade e, ao mesmo tempo, é reveladora da segregação socioespacial.

FERNANDA CAMACHO

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Matemática
Catando e contando latinhas
EMEIEF José Maria Sestilio Mattei
Santo André, SP

No início do ano, Fernanda identificou a necessidade de propor situações de aprendizagem para que os alunos do 1o. ano pudessem ampliar os conhecimentos sobre os números e as operações matemáticas. Para tal, planejou uma situação real que a matemática estava diretamente envolvida: colecionar latinhas. O trabalho de reunir o material, contar e calcular quanto teriam de dinheiro ao vender as latas, fez com que a garotada tivesse de encarar atividades de contagem, cálculos, estimativas e resolução de problemas envolvendo adição, subtração, multiplicação e divisão. Empenhada na missão, as crianças conseguiram superar a quantidade esperada de latas (5 mil!) e avançaram nos saberes matemáticos.

GABRIELA CASELLA

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(Divulgação/FVC)

Educação Infantil – Crianças pequenas
Para brincar de…
Escola Ursinho Branco
Santana de Parnaíba, SP

A inauguração da Doceria Deliciosa Unicórnio, ou DOCIA DISOA UICONIO segundo a grafia das crianças de 4 e 5 anos da turma de Gabriela na entrada da sala de aula, foi apenas o ponto de chegada de um intenso faz-de-conta que durou dois meses. Todos se envolveram com a produção de doces (modelados com massinha, feitos com papel etc.), figurino e ambientação do espaço, e escreveram as palavras no cardápio, os crachás dos funcionários e as plaquinhas dos produtos. A atividade lúdica se mostrou um modo potente de interação entre os pequenos e a leitura, a escrita, a fala e a escuta. A educadora se preocupou em organizar duplas e grupos de trabalho considerando os saberes das crianças, para promover o avanço delas nas hipóteses sobre o sistema alfabético. O objetivo da montagem da doceria era receber outra turma, que participou do jogo infantil, atuando como “cliente”. Mas foi durante a preparação que aconteceu o brincar simbólico, motivo de alegria e descoberta no dia a dia da Educação Infantil.

GISELI DE LORENA

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Fundamental II – Geografia
Bananicultura como patrimônio cultural
Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Mees
Corupá, SC

O projeto de Giseli é um excelente exemplo de educação geográfica para a cidadania. Corupá é a capital catarinense da banana e já solicitou até o selo de Indicação Geográfica (IG) como a banana mais doce do Brasil. Sabendo que a maioria de seus estudantes são filhos de bananicultores, a professora abordou os conceitos de paisagem e lugar relacionando-os às vivências deles com a agricultura familiar. Para valorizar a memória dessa atividade, ela orientou os alunos a identificarem os traços do patrimônio cultural material e imaterial da prática agrícola. O objetivo foi crescendo e levou a turma a elaborar uma sugestão de lei no Programa Missão Pedagógica do Parlamento. O projeto de lei, que “declara Patrimônio Cultural de natureza imaterial a bananicultura no município de Corupá, bem como as comemorações do dia da banana realizadas no município” foi acolhido pela Câmara Municipal de Corupá e está em processo.

GLEICIANE ROCHA

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Fundamental II – Língua Portuguesa
Quem ouve causos desenvolve a escrita
Escola Municipalizada Francisco Teixeira de Oliveira
Rio Claro, RJ

Os alunos do 8º ano de Gleiciane escreviam sem parágrafos ou pontuação, com muitas repetições de palavras e marcas de oralidade. Para desenvolver a competências escritora, a professora escolheu trabalhar com a retextualização de causos típicos da cidade. A turma ouviu causos sobre uma antiga fazenda da região, a Fazenda da Grama, e os transformou em histórias escritas, que mais tarde foram expostas em um evento na casa de cultura de Rio Claro. Além do resultado, que valorizou a história da comunidade, o processo permitiu aos estudantes refletirem sobre as semelhanças e diferenças entre o oral e o escrito. Em uma discussão coletiva sobre manter ou não expressões regionais, por exemplo, Gleiciane ouviu dos alunos que “que diacho” deveria ser mantido para não descaracterizar o gênero. Envolvidos em atividades planejadas em uma cuidadosa sequência didática, eles aprimoraram seus textos e, ao mesmo tempo, aprenderam a valorizar as histórias que fazem parte da história da sua comunidade.

HELISON CAVALCANTE

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Fundamental II – EJA – História
Nossa História das Mulheres
EEEFM Professor Antônio Carlos Gomes da Costa
Ananindeua, PA

A história das mulheres é uma demanda contemporânea, mas costuma ficar de fora dos currículos escolares. O professor Helison introduziu o tema com uma função social: instigar jovens em privação de liberdade, que cumprem medidas socioeducativas, a valorizarem os estudos e a si mesmas como sujeitos históricos que podem intervir e opinar no mundo. Em conjunto com o educador, elas debateram a luta da mulher pelo direito ao voto, no contexto da Revolução Francesa, e a mulher no mercado de trabalho e sua relação com a Revolução Industrial e as guerras do século 20. Responderam um questionário e deram sua visão sobre o universo feminino e o machismo. O professor também discutiu com elas textos de sua autoria e filmes sobre a luta feminina por direitos, incentivando-as a refletirem sobre a possibilidade de igualdade entre os sexos.

IONÃ SCARANTE

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Ensino Médio – Língua Portuguesa
Mãos que inspiram poesia: a arte de Maragogipinho traduzida em versos e ilustrações
Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Baiano
Valença, BA

A professora parte do pressuposto que ensinar LP é ensinar uma forma de interação. Assim, proporcionou aos alunos do 1° ano do ensino médio um mergulho na produção cerâmica de Maragogipinho. Primeiro, os jovens apreciaram um livro e um documentário sobre a comunidade local. Depois, estudaram conteúdos relacionados à linguagem poética, lendo poemas de autores como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e as baianas Ester Vasconcelos e Ana Carolina Cruz de Souza. Em seguida, prepararam-se para visitar Maragogipinho. Nessa visita, os alunos observaram as peças fabricadas, fizeram levantamento das curiosidades do local, das histórias de vida, dos apelidos dos moradores; viram de perto as olarias, o delicado e autêntico trabalho realizado pelos poucos santeiros que vivem na comunidade, o papel das mulheres na confecção das peças, o transporte das peças para a comercialização, a participação dos oleiros na Feira de Caxixis. Todo esse universo tornou-se a matéria prima dos poemas que os alunos produziram. Ao final do projeto, os estudantes escolheram poemas e ilustrações feitas pela turma para compor o livro Mãos que inspiram poesia: a arte de Maragogipinho..

ITALO SILVA

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Fundamental I – Língua Portuguesa
Um elo de ligação entre alfabetização e letramento
EM Lunalva Costa
Teresina, PI

Para ampliar os conhecimentos das crianças sobre o gênero “Aviso”, tratado bem pontualmente no material didático utilizado pela rede, o professor resolveu propor um projeto que permitiu aos alunos do 3º ano vivenciar uma situação comunicativa real. Saiu com as crianças pela escola para observarem onde poderiam colocar placas para informar, indicar e organizar melhor o espaço escolar e a convivência. Elas sugeriram indicações para cada sala ou espaço, avisos sobre jogar os lixos nos recipientes adequados, apagar as luzes e não furar a fila da cantina, entre outros. A partir disso, planejaram o que escrever, discutiram e revisaram as escritas e elaboraram as placas que foram afixadas pela escola. Dessa forma, foi simples perceber o sentido de usar verbos no imperativo e no infinitivo e o cuidado na elaboração das mensagens, que deveriam ser lidas e compreendidas por todos.

IVONETE DEZINHO

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Fundamental II – Matemática
De pai para filho – uma abordagem do ensino da matemática nas profissões
EMEF Professor Milton Dias Porto
Navirai, MS

A Matemática está presente na vida cotidiana e os alunos do 8º ano começaram a se dar conta disso quando pesquisaram como essa ciência aparece no exercício de profissões de garçom, padeiro, astronauta, médico pediatra, arquiteto e chefe de cozinha. Até então, a disciplina era alvo de rejeição da turma. Orientados por Ivonete, os estudantes também conversaram com familiares sobre como eles lidam com números no dia a dia. Descobriram que seus pais e avós têm estratégias de cálculos próprias e interessantes e que unidades de medida, juros, porcentagem, orçamento doméstico, perímetro e área, dentre outros temas, são conhecimentos importantes e, mais do que isso, possíveis de serem aprendidos na escola.

JACQUELINE MARTINS

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Fundamental I – Educação Física
CIEJA Aluna Jessica Nunes Herculano
Tchouk o que? Tchoukball: que esporte é esse?
São Paulo, SP

Jovens, adultos e idosos, dentre eles alguns com deficiência, experimentaram a vivência de um esporte pouco conhecido no Brasil durante as aulas de Educação Física. É o tchoukball, prática sem contato físico entre os participantes, conhecida como esporte da paz e disputada entre equipes com uma bola e duas superfícies de remissão (quadros). Jacqueline explorou com os alunos passes e diferentes formas de arremessar a bola e defendê-la. A professora teve a sensibilidade de adaptar o material, usando uma bola maior, permitindo assim a participação de toda turma. Quando notou que os alunos pouco criavam estratégias coletivas de jogo, lançou desafios para potencializar a prática. Assim, a classe não só aprendeu a jogar melhor como pôde vivenciar diferentes movimentos corporais, um dos objetivos centrais de uma boa aula de Educação Física.

JAQUELINE KREBS

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Ensino Médio – Física
Óptica da visão e toxoplasmose ocular
EEB da URI Campus de Erechim
Erechim, RS

O estudo de óptica geométrica, conteúdo tradicional do Ensino Médio, ganhou requinte nas mãos de Jaqueline. A professora planejou explorar o tema com um recorte específico – óptica da visão – e conferiu muita relevância à sequência didática que organizou ao considerar como ponto-chave o estudo de problema que afeta os moradores locais, a toxoplasmose ocular (a cidade está no centro da discussão mundial sobre a doença, devido ao grande número de casos, e esse ano foi confirmado um surto no local). Durante as aulas, a turma estudou o comportamento da luz ao propagar-se em diversos sistemas ópticos, pesquisou sobre a doença, fez experimentos no laboratório e se dedicou a solucionar problemas.

JOSÉ MARCOS COUTO JR.

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Fundamental II – História
As Caravanas: limites da visibilidade
Escola Municipal Áttila Nunes
Rio de Janeiro, RJ

A música As Caravanas, de Chico Buarque, fala sobre como moradores do subúrbio e de comunidades são vistos na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao ouvir a letra, José Marcos a julgou perfeita para dar continuidade a um projeto de 2017 sobre a questão da inserção do negro na sociedade e a ideia de invisibilidade social. Em 2018, o trabalho teve dois objetivos: ampliar o mundo dos alunos do 8º e 9º ano, levando-os a conhecer outros territórios e culturas, e contribuir para que desenvolvessem a escrita e a autoestima antes de ingressar no Ensino Médio. Canções de Chico, como Construção, Geni e o Zepelim, Ópera do Malandro, e de outros compositores geraram debates e produções textuais em que os estudantes criaram seguindo a mesma estrutura das letras das músicas estudadas. Também reescreveram a Lei Áurea imaginando como deveria ser a integração de ex-escravos. Saídas para o teatro e para o Centro Cultural Banco do Brasil levaram os jovens a espaços nunca antes visitados. Para valorizar seus textos de autoria, eles foram reunidos no livro Que sejam lidos, que sejam vistos.

JOSEÍLSON ARAÚJO

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Geografia
Vamos cuidar de Dona Inês, cuidando das águas
Esc. Mun. Ens. Fund. Senador Humberto Lucena
Dona Inês, PB

O sertão na região do município de Dona Inês, com 11 mil habitantes, experimentou o desaparecimento de açudes e reservatórios de água nos últimos anos. Nas aulas de Geografia, os conteúdos foram trabalhados de forma que os alunos compreendessem a relação entre solo, vegetação da caatinga e o clima. O projeto, que em anos passados fez intervenções para reduzir o desperdício de recursos hídricos na escola (reuso de efluentes das pias, captação de águas pluviais etc.) e organizou uma horta no sistema de agricultura de floresta, ganha novas etapas a cada semestre. A última incluiu saídas dos 8º anos a campo para catalogar as principais nascentes que abasteciam o município e que haviam parado de fornecer água. Criou-se um acervo de fotos e registros com relatos de moradores, resultando em um cadastro completo dessas nascentes. Duas delas foram escolhidas para serem reflorestadas com vegetação nativa: as mudas foram plantadas pelos estudantes. Atuando na realidade, eles entenderam a importância de cuidar dos sistemas agroflorestais para a conservação e a recuperação da água.

JULIANA SANTIAGO

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(Divulgação/FVC)

Ensino Médio – Química
EE Firmino Costa
QuímicAção
Lavras, MG

Pilhas e baterias são objetos comuns no dia a dia das pessoas. No entanto, poucas pensam de forma crítica sobre a relação entre o descarte das substâncias que fazem parte desses objetos e a consequente degradação do meio ambiente e da saúde humana. Tendo isso em mente, Juliana organizou uma sequência didática para trabalhar o tema com alunos do 2º ano, desmistificando a eletroquímica – conteúdo clássico da disciplina de Química no Ensino Médio. As etapas da sequência contemplaram um jogo de cartas que desafiava a classe a analisar ações e suas respectivas relações com a Química, a realização de um experimento para explorar como uma bateria é feita, o estudo da pilha de Daniell e do conceito de eletrólise. Ao fim do trabalho, os alunos se revelaram mais conscientes sobre a questão do consumo e descarte de pilhas e baterias, se tornando responsáveis no que diz respeito às próprias ações.

JULIANA VIANA

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(Divulgação/FVC)

Educação Infantil – Crianças pequenas
Arte e cultura indígena e afro-brasileira através da literatura infantil
Centro de Educação Infantil Pedrinho
Vinhedo, SP

A leitura de livros de literatura é ponto de partida para diversas atividades da turma de 5 anos, como discutir o significado de Abaré (amigo, em tupi-guarani), admirar grafismos indígenas e pintar com tinta natural de terra e carimbos de madeira e barbante, feitos pelas crianças. A expressão plástica, por meio de linguagens como dança, canto, pintura, desenho e modelagem, foi uma das preocupações da professora. Ao descobrirem os animais que habitam no entorno das aldeias dos povos matis, por exemplo, os pequenos confeccionaram alguns deles com sucata. Um livro de contos indígenas foi a inspiração para realizar brincadeiras. Outro, sobre a infância no Chade, os levou a construir brinquedos. Além de escolher bons livros, Juliana apresentou tradições da cultura popular de matriz africana, como o coco, o samba de roda e o maracatu. Mas o ponto alto foi a vinda de indígenas Sabuká Kariri Xocó ao CEI: eles mostraram suas danças e falaram sobre seu modo de vida, encantando crianças e adultos.

LEONARDO ANDRADE

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Educação Física
Jogos de Matrizes Indígenas e Africanas
Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação – UFG
Goiânia, GO

Você já brincou de arranca mandioca? Sabe jogar mancala? Conhece a origem de escravos de Jó? A meninada do 5º ano aprendeu tudo isso e mais um montão de coisas com o projeto desenvolvido por Leonardo. A ideia do professor, além de ampliar o repertório da turma, era apresentar a cultura africana e indígena e trabalhar questões antirracistas, apropriando todos do contexto histórico da cultura brasileira e proporcionando descobertas sobre jogos passados de geração em geração. Além de se divertir com os jogos, as crianças fizeram pesquisas, participaram de discussões coletivas e elaboraram um livro sobre o tema do projeto, o que tornou a aprendizagem mais significativa.

LUCIANA ALVES

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(Divulgação/FVC)

Educação infantil / Crianças Pequenas
Crianças organizando mostras culturais
EMEI Antonio Lapenna
São Paulo, SP

Dar voz às crianças, deixá-las ocupar o espaço da escola e permitir que desenvolvam a noção de pertencimento, além de incentivar a autonomia delas e a tomada de decisões considerando a opinião de todos. Não é fácil nem comum sair do lugar do professor que ensina e se propõe a ter o papel de de parceiro e mediador. Com isso tudo em mente, Luciana convidou as crianças de 4 e 5 anos a participar da mostra cultural da escola de forma protagonista. Na prática, isso significou permitir aos pequenos ter a responsabilidade de preparar o espaço e selecionar o material. Portando-se como ótima ouvinte, a professora encaminhou os alunos a fazerem boas reflexões também durante a produção do que seria exposto.

MARIA APARECIDA PILON

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(Divulgação/FVC)

Fundamental I – Língua Portuguesa
Sarau de literatura de cordel
EE Professor Alcindo Soares do Nascimento
Americana, SP

A fluência leitora é aprimorada pela prática da leitura em voz alta, que exige cuidados com pontuação e ritmo, por exemplo. Para que os alunos se envolvessem com a modalidade, Maria Aparecida propôs a realização de um sarau de leitura de poesias, só que no meio do projeto as crianças se interessaram por livros de cordel. Com isso, a professora promoveu a interação delas com essa literatura, sua origem e os autores mais importantes. Na preparação para o sarau, os alunos assistiram a bons modelos em vídeos com escritores lendo seus textos, ensaiaram muitas vezes e comentaram as práticas dos colegas, avaliando em duplas a leitura em voz alta, observando a pontuação e a entonação. Além da própria apresentação para a comunidade escolar, os resultados desses treinos também colaboraram para a aquisição de habilidades de Língua Portuguesa do 4º ano. Nos resultados de avaliações externas de Língua Portuguesa, o índice de acertos médio da turma passou de menos de 37% para 64%.

MARIA JOSÉ DO NASCIMENTO

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(Divulgação/FVC)

Gestão Escolar/ Coordenação Pedagógica – EJA
Eu, Cidadão do Mundo
Centro de Educação de Jovens e Adultos Arco-Íris
Goiânia, GO

O trabalho pedagógico e de formação continuada se destaca por duas razões. A proposta pedagógica considera os diferentes contextos vivenciados por sua comunidade, bastante diversa, que cursa o Ensino Médio. E a formação é pensada de modo “horizontalizado”, ou seja, é uma responsabilidade compartilhada entre a coordenadora e os professores. No CEJA, projetos de diferentes áreas de conhecimento são organizados em torno de cinco eixos: Conhecer, respeitar e conviver com a diversidade cultural; Realizar debates sobre trabalho, profissão e profissionalidade; Conhecer e refletir sobre conhecimentos artísticos e culturais; Desenvolver o cuidado com a saúde individual e coletiva; Defender a educação e os direitos humanos – este último orienta também a formação continuada dos profissionais. O respeito às histórias de vida de alunos de 18 a 69 anos e o incentivo à participação têm contribuído para que sigam estudando, desenvolvam a autonomia e avancem na aprendizagem. O aumento das matrículas, que passaram de 250, em 2017, para 350, em 2018, é um indicador do sucesso do projeto.​

MARCOS NEVES

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Fundamental I/ EJA – Educação Física
A desconstrução de preconceitos
CIEJA Campo Limpo
São Paulo, SP

Por sugestão de uma estudante, o professor Marcos Ribeiro das Neves resolveu se aprofundar sobre o Maracatu, e, com isso, precisou desconstruir algumas narrativas preconceituosas que emergiam dos próprios alunos da EJA. Aos poucos, com ajuda de discussões, pesquisas, vivências e trabalhos, os alunos conheceram o contexto social e histórico da escravidão e desta manifestação cultural folclórica afro-brasileira, ampliando e ressignificando os saberes. Como finalização do trabalho, tiveram que preparar coletivamente um cortejo para a abertura de um seminário étnico municipal.

MARINALDO SOUZA

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Fundamental I – Língua Portuguesa
Produção Textual do Gênero Fábulas
Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Jupariquara
Barcarena, PA

Em uma escola ribeirinha a duas horas de barco da cidade de Barcarena, o professor Marinaldo planejou com muita consistência uma sequência de trabalho sobre fábulas para seus alunos de 4 a 11 anos de sua turma multisseriada. Ele valorizou a diversidade e lançou mão de estratégias fundamentais, como os grupos produtivos, para garantir a participação de todos. Em uma variedade de situações apresentadas de forma cuidadosa a seu grupo o professor garantiu que todos se aproximassem do gênero estudado dentro de suas possibilidades, dando espaço para pensar sobre os animais das fábulas e os animais da região, por exemplo, mas também com situações de alfabetização de acordo com as hipóteses de escrita do grupo.
Os textos finais foram produzidos coletivamente nos quais os alunos mais novos atuavam como ditantes e um aluno mais velho atuava como escriba, intercalando estes momentos com retomadas coletivas, garantindo uma elaboração de todo o grupo.

MATEUS VIANA

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Matemática / Fundamental II
Comunidade de aprendizagem – Grupos interativos
Colégio Villa Lobos
Cajamar, SP

Apostando no poder do trabalho em grupo, Mateus propôs aos alunos do 6º, 7º e 8º anos aprender matemática de forma colaborativa. Organizados em grupos interativos, eles foram desafiados a resolver problemas ao mesmo tempo que tiveram de aprender a trabalhar coletivamente de forma produtiva, construindo um ambiente fértil para discussões e trocas de ideias. Ao longo do projeto, o professor ficou de olho não só nas resoluções das atividades que envolvem números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação. Mateus avaliava de forma sistemática se cada estudante fazia considerações significativas quando estava reunido em grupo, registrava suas ideias, ouvia e trocava impressões com os colegas e, é claro, se tinha compreendido o conteúdo explorado. Dessa maneira, o professor contribuiu para o desenvolvimento da autonomia de cada um e fortaleceu habilidades, tais como respeitar a opinião dos colegas e notar que em determinadas situações podem existir mais de uma estratégia de resolução válida.

MAURO ROSA JR.

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Fundamental II/ EJA – Arte
Vagas de Luz: Às sombras do preconceito
EMEB Isidoro Battistin
São Bernardo do Campo, SP

A arte como linguagem só tem significado e ganha expressão se o assunto tratado faz sentido para quem a produz. O professor Mauro orientou sua turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) a um mergulho por um tema desafiador e delicado: o preconceito. Os estudantes levantaram perguntas segundo suas vivências pessoais, retomadas ao longo do percurso. Depois de conversas e pesquisas com professores de diferentes disciplinas, a turma decidiu fazer uma representação dramática elaborando um teatro de sombras. O objetivo era colocar luz aos olhos dos espectadores a questões ligadas ao racismo, machismo, homofobia e exclusão de presidiários e ex-presidiários. Organizados em grupos, pesquisaram imagens, textos e músicas com carga simbólica para compor as cenas e se dedicaram aos ensaios. O teatro de sombras, apresentado a estudantes e professores, estimulou a comunidade escolar a refletir e debater, além de empoderar os estudantes, que agora têm força para se colocar diante dos preconceitos que os atingem.

MIKAEL MIZIESCKI

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Arte
Morro Grande em Arte
EMEF Prefeito Dário Crepaldi
Morro Grande, SC

Para que seus alunos – que vivem em um município com 3 mil habitantes e são filhos e filhas de agricultores – desconstruam os estereótipos que têm sobre a disciplina Artes, o educador os instiga e provoca. Eles estudam história da arte e a produção de artistas catarinenses e contemporâneos brasileiros e as vanguardas modernas; pesquisam e debatem; visitam exposições e escrevem sobre seus próprios trabalhos, o que os torna críticos e conscientes em relação a sua prática artística. O projeto é inovador, pois coloca em foco os espaços expositivos e a curadoria, que são tratados como conteúdo. Desde o início do ano os estudantes sabem que seus trabalhos serão expostos, então se engajam em pesquisas sobre arte e experimentam com técnicas e linguagens ao elaborar suas criações. Na última exposição Morro grande em Arte, organizada pelo docente e seus alunos no final de 2017, eles mostraram seus trabalhos ao lado de obras de artistas da região, levando mais de 700 pessoas ao evento, o único acontecimento cultural da cidade.

MYTSE ANDRADE

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Fundamental II – Ciências da Natureza
Bloco de Obsidiana: Aprendendo sobre rochas e minerais com um jogo de construção virtual
Colégio Estadual Municipalizado José de Anchieta
Queimados, RJ

Em uma aula habitual do 6º ano, durante a correção de um exercício, a professora pediu aos alunos um exemplo de rocha magmática. Estranhou quando três responderam ao mesmo tempo: obsidiana. Logo descobriu que a rocha pouco conhecida era muito usada no jogo de Minecraft ©, além de outras rochas e minerais que os jogadores garimpavam para construir casas e cidades. Daí foi um pulo para construir uma sequência didática diferente. Chamou os estudantes mais experientes no game para apresentá-lo aos colegas e trouxe um texto com dicas e informações sobre os minerais do jogo para compará-los aos da vida real. Mytse ressignificou a aula dos professores de Minecraft ©: o diamante deu chance para explicar sobre a dureza dos minerais e o arenito, sobre rochas sedimentares, o quartzo e o processo de fabricação do vidro, sugerido no game. O esforço de pesquisar sobre o jogo valeu a pena, pois a estratégia de usar a tecnologia, valorizando e mobilizando a vivência e os saberes dos alunos, foi vencedora para a aprendizagem da turma.

PAMMELA OLIVEIRA

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Fundamental I – Língua Portuguesa
Quem sou eu? O resgate de minhas memórias
CIEP Nação Rubro Negra
Rio de Janeiro, RJ

Recordar a infância, acessar as próprias lembranças e conhecer o passado dos colegas: foi com base nisso que alunos do 1º bloco da Educação de Jovens e Adultos conquistaram mais saberes e avançaram em relação aos processos de leitura e escrita. Ao escolher memórias como tema central do projeto, Pammela valorizou as experiências de sua turma e garantiu um ambiente potente de aprendizagem. Ela planejou e realizou um trabalho de alfabetização que envolveu leitura, produção e análise de textos, além de apreciação de obras de arte e debates em sala, dentre outros tópicos, ajudando os estudantes a se perceberem capazes de ler e escrever com autonomia.

PATRICIA PEREIRA

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Fundamental II – Língua Portuguesa
Poemografia
Escola Estadual Cleufa Hübner
Sinop, MT

Fotografar e receber imagens via celular é uma prática apreciada pelos alunos no dia a dia. A professora aproveitou esse interesse para associar a fotografia a outra linguagem, menos conhecida e admirada por eles: a poesia. Aprender a analisar múltiplas linguagens é uma das competências descritas na Base Nacional Comum Curricular e práticas de multiletramentos impulsionam a melhora da leitura e da escrita. Com esse objetivo em mente, Patrícia conduziu a turma do 9º ano por um caminho de apreciação e estudo sobre a fotografia, as artes plásticas e a poesia. Dentro da sequência didática houve espaço para análises de exposições e poemas de artistas locais e contato direto com alguns deles, além de exercícios para estimular o olhar artístico. Os alunos formaram repertório para depois registrar com o celular imagens de cunho poético, que inter-relacionaram com haicais criados por eles. As melhores “poemografias” de cada estudante integram uma exposição na escola.

PATRICIA SOUSA

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Fundamental I – 1º e 2º anos – Língua Portuguesa
Mural Digital de Descobertas
Escola Santi
São Paulo, SP

Registrar as situações vividas em sala de aula ao longo de um trimestre para retomar as aprendizagens e desafios do 1º ano se tornou uma responsabilidade não só da professora, mas de todos os alunos da sala. Utilizando um aplicativo para a realização de um mural digital, as crianças escolhiam como apontar as vivências mais significativas, tendo com isso que produzir a escrita de títulos para cada registro. O trabalho com oralidade ganhou força com o uso da gravação de áudios, e posterior conversa coletiva sobre cada um deles. No início do Ensino Fundamental, o registro do que é vivido e aprendido pela criançada é importante para que os conteúdos sejam retomados, relacionados e ampliados.

RONEIDE DOS SANTOS

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Fundamental I – Ciências da Natureza
Manejo Sustentável de Cogumelos
EMEF de Tempo Integral Santa Luzia
Carlos Barbosa, RS

A cada início de outono, professores e alunos observam uma profusão de cogumelos que crescem nos arredores da escola rural. Roneide percebeu a curiosidade de sua turma de 4º ano, e decidiu investigar, junto com ela, como seria o cultivo de variedades comestíveis. A professora buscou fornecedores de micélios (partes de fungos para o início do cultivo) e as famílias doaram matérias-primas para os substratos (serragem, borra de café, podas de grama) que foram testados em proporções variadas e diferentes tipos de estufas (embalagens de leite, garrafas PET, sacolas descartáveis). O trabalho aconteceu na escola e, durante a greve de caminhoneiros, para não perder a pesquisa, os alunos cuidaram do experimento em casa. Registraram os resultados e informaram o que observaram à professora pelo celular, com fotos e áudios. A avaliação da aprendizagem também foi peculiar: como Roneide foi remanejada para outra escola, pediu que as crianças explicassem para a nova professora como deveria ser o cultivo dos cogumelos. E eles relataram com autonomia todo o processo e os cuidados necessários!

SCHEILA MAAS

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(Divulgação/FVC)

Fundamental II – Língua Portuguesa
Projeto Revista Teen
Escola Básica Municipal Dr. Amadeu da Luz
Pomerode, SC

Os alunos do 8º ano de Scheila se envolveram com protagonismo na produção da Revista Teen: decidem temas dos textos em reuniões de pauta, corrigem coletivamente as produções uns dos outros, escolhem qual é a melhor matéria para compor a capa, pesquisam e fazem entrevistas sobre assuntos do universo adolescente. O interesse genuíno pela atividade acontece por dois motivos: a publicação impressa tem leitores reais – os colegas de outras séries – e todas as decisões editoriais são tomadas pelos estudantes. A professora aposta numa metodologia ativa e estimula a autonomia. Orienta, por exemplo, duas reescritas: na primeira, sem sua intervenção, os colegas apontam o que pode melhorar no texto, e na segunda, com correção prévia de Scheila, o autor precisa apresentar a matéria à classe e explicar quais sugestões feitas pelos colegas ele acatou ou não e por quê. Desse modo, os jovens desenvolvem habilidades na escrita e na oralidade e refletem sobre a produção textual.

SIBERIA CARVALHO

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Fundamental I – Gestão Escolar/ Coordenação Pedagógica
A carta como instrumento de orientação pedagógica
EMEF Professora Rosa Tomita
São José dos Campos, SP

Coordenadora pedagógica nessa escola há 14 anos, Siberia entendeu que a chegada de novas professoras, muitas delas recém-formadas, junto com a redução de horários de formação continuada poderiam colocar em risco as conquistas obtidas. Entre 2005 e 2017, os resultados de aprendizagem dos alunos melhoraram significativamente graças a um projeto especial que lidou com a violência e o fracasso escolar. Para complementar os encontros semanais com o corpo docente, Siberia teve a ideia de escrever cartas de orientação pedagógica a partir da análise da produção dos alunos e das questões das professoras. Segundo elas, as orientações por escrito, via cartas, potencializam o que acontece nas reuniões, trazem novos conhecimentos, e são um material de consulta importante e perene. O destaque especial é para a escuta sensível que a coordenadora faz das professoras, a organização do trabalho de formação considerando suas necessidades, o acolhimento e apoio às colegas mais inexperientes, o registro do trabalho pedagógico e o compromisso com a aprendizagem dos alunos.