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Educador Nota 10

Os vencedores de 2015

Veja mais sobre os 10 projetos selecionados na 18ª edição da premiação

Prêmio atinge a maioridade com o tema Transformação – Educar transforma o caminho. Júri elege diretor que revitalizou uma escola como Educador do Ano.

Em sua 18ª edição, a festa de entrega do Prêmio Educador Nota 10 aconteceu no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo, na noite de 30 de novembro, e teve como mestre de cerimônias a jornalista Sandra Annenberg. Sua participação se deveu à importante parceria entre Grupo Abril e Globo, iniciada no ano anterior, em 2014. Após a exibição do vídeo de seu projeto, cada um dos dez Educadores Nota 10 recebeu o troféu da mão de seu selecionador, o que acrescentou ainda mais emoção ao reconhecimento dado aos professores e gestores, que vieram de seis estados brasileiros.

Enquanto os presentes assistiam a um pocket show da cantora Tiê, a academia de jurados se reunia para decidir quem seria o destaque da noite. O time foi composto por Mônica Pinto, gerente institucional da Fundação Roberto Marinho; Lino de Macedo, professor titular da Universidade de São Paulo (USP); Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec, e Claudia Davis, pesquisadora sênior da Fundação Carlos Chagas.

O nome anunciado foi o de Diego Mahfouz Faria Lima, diretor da EM Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, a 450 quilômetros de São Paulo. O Educador do Ano recuperou uma escola inteiramente depredada ao longo de 2014, envolvendo a comunidade no projeto Minha Escola: Reconstrução Coletiva. “O gestor nunca atua sozinho. Um trabalho como esse só pode dar certo quando você sensibiliza sua equipe e abre o diálogo com os alunos”, disse ele. A escola era noticiada como a mais violenta da cidade, mas se transformou depois que Diego abriu o local nos fins de semana para atividades culturais, esportivas e de lazer, e levou os pais para ajudarem a decidir os rumos da instituição.

“Esse projeto premiado representa todos os outros, porque numa escola o gestor é o grande líder e faz muita diferença”, comentou Lino de Macedo. O presidente da Fundação Victor Civita, Victor Civita Neto, ressaltou o momento da iniciativa de valorização da Educação brasileira. “O prêmio atinge sua maioridade este ano, quando também comemoramos os 30 anos da Fundação. O caleidoscópio ilustra o tema porque está em constante movimento, assim como a vida escolar”, disse. Na edição de 2015, mais de 3.600 educadores de todos os estados brasileiros se inscreveram. Leia abaixo os resumos dos 10 projetos vencedores.

Alessandra Bremm

História/ Fundamental I
Projeto: Do samba ao funk
EEEF Professora Delfina Loureiro
Lagoa Vermelha, RS

Ao ver que os alunos da turma de 4º ano passavam o dia cantando os grandes hits do momento, a professora Alessandra teve uma ideia: que tal ampliar esse repertório musical, aproveitando para discutir questões sobre a história da música brasileira? Do sertanejo universitário à moda de viola, passando pelo samba, pelas modinhas de salão, pela MPB e o rock, os alunos puderam conhecer não só os diversos ritmos, mas discutir momentos importantes da história do país, como a ditadura militar e o uso das canções como instrumento de protesto. Para ampliar o trabalho, eles tiveram acesso a muitos outros materiais, como biografias, textos informativos e vídeos das diferentes épocas estudadas.

Leia a reportagem em Nova Escola: O que está por trás da batida do funk

Andreia Fernandes de Souza

Língua Portuguesa/ Fundamental I
Projeto: Ler para estudar o mundo ao meu redor
EE Fulvio Abramo
São Paulo, SP

A maior dificuldade da turma do 5º ano C era a interpretação dos textos. Em diversas atividades, Andreia diagnosticou que os alunos – mesmo aqueles que liam com fluência – não conseguiam perceber as minúcias presentes no texto de diversos gêneros. O projeto realizado orientou as crianças a ler para estudar, a utilizar procedimentos de pesquisa (leitura, seleção da informação, pesquisa em diferentes suportes), a elaborar resumos e esquemas. Os temas de leitura foram sustentabilidade, Mata Atlântica e biomas brasileiros, entre outros. Ao final do trabalho, a turma preparou um seminário sobre o meio ambiente levando em conta o seu público-alvo: os alunos do 4º ano.

Leia a reportagem em Nova Escola: Ler para estudar o mundo ao meu redor

Assista ao vídeo do Canal Futura, do programa Conexão Futura

Audaci Maria de Lima Silva

Educação Infantil / Creche
Projeto: Eu sou meu desenho
EM XV de Novembro
Camaragibe, PE

Quando se é pequeno, desenhar em sala de aula faz parte de uma deliciosa rotina. Mas como intervir para fazer com que as crianças avancem nos seus conhecimentos sobre essa forma de expressão tão importante? Esse foi o dilema enfrentado por Audaci. Como solução, ela decidiu propor a eles atividades que envolvessem técnicas, materiais e suportes variados: tinta, papel, giz e barbante. Além disso, a turminha também visitou exposições no Museu de Arte Moderna de Recife e a Oficina Brennand, do renomado escultor Francisco Brennand, para enriquecer seu repertório. Assim, os rabiscos feitos por eles no início do ano foram aos poucos ganhando novas formas.

Leia a reportagem em Nova Escola: Eu sou o meu desenho

Diego Mahfouz Faria Lima - Educador do Ano 2015

Diretor Escolar / Ensino Fundamental II
Projeto: Minha escola: reconstrução coletiva
EM Darcy Ribeiro
São José do Rio Preto, SP

Em apenas 1 ano e 4 meses, o diretor transformou o clima de uma escola que era noticiada na imprensa local como a mais violenta, com as piores notas nas avaliações e as maiores taxas de evasão e repetência da cidade e da região. Contando com doações e ajuda de membros da comunidade escolar, ele começou o processo com uma grande reforma e uma recepção aos alunos no início do ano. Depois, professores, pais, funcionários, o Conselho Escolar e a Associação de Pais e Mestres foram convidados a elaborar coletivamente normas escolares para serem discutidas com os alunos. A gestão democrática mudou a forma como todos enxergam a instituição: agora, a sensação é de pertencimento. Nos finais de semana acontece o Projeto Camerata Jovem Beethoven, que ensina gratuitamente música clássica aos alunos e outros interessados, além de aulas de artes plásticas e práticas esportivas.

Leia a reportagem em Nova Escola: Minha escola: reconstrução coletiva

Leia a entrevista em Gestão Escolar, quando ele concorria ao Global Teacher Prize, em Gestão Escolar: Este diretor virou o jogo em sua escola 

Leia a reportagens quando da indicação ao Global Teacher Prize, na revista Veja, no site G1 e no Diário da Região.

Fernando Canindé Ribeiro Rufino

Artes / Fundamental II
Projeto: Vias de Imagem
EM da Topolândia
São Sebastião, SP

O professor Fernando orientou práticas de fotografia e produção de vídeo com os  com adolescentes do 7º ano do Ensino Fundamental e também com turmas do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Na primeira etapa, a de fotografia, cada aluno foi orientado a observar ângulos, luz, perspectivas. A proposta era superar os padrões convencionais e descobrir novas possibilidades de fotografar, retratando seus temas favoritos de maneira original e particular. Os participantes usaram os próprios smartphones para a produção das fotos, obtendo imagens criativas e de qualidade artística. Na parte dedicada ao vídeo, eles aprenderam o que era sinopse, roteiro, storyboard e ficha técnica. Por fim, a turma produziu um curta-metragem encenado pelos alunos. O resultado foi surpreendente e validando-os como autores e artistas.

Leia a reportagem em Nova Escola: Vias de imagem

Marcos Vilas Boas

Educação Física / Fundamental I
Projeto: Rope Skipping: do individual ao coletivo
EMEF Plácido de Castro
São Paulo, SP

Depois de observar alguns recreios, Marcos teve a ideia de trabalhar com a turma jogos e brincadeiras de “pular corda”. No 5º ano, onde 20 dos 33 alunos diziam não conhecer essa atividade, ele apresentou o esporte, chamado rope skipping. Por meio de situações e desafios cumulativos, pulando de forma individual, em dupla ou em grupos, ele introduziu conceitos de ginástica para todos e de dança de rua, além de explorar o tema como esporte e saúde. O rope skipping exige harmonia entre batedores e saltadores, por isso a ação faz os participantes olharem atentamente e colaborarem uns com os outros. O projeto terminou com uma apresentação dos alunos para as famílias e com visitas a outras escolas. A proposta educativa reuniu, dessa forma, o protagonismo juvenil, a socialização e a interação entre as crianças de várias idades.

Leia a reportagem em Nova Escola: Rope Skipping: do individual ao coletivo

Assista ao vídeo do Canal Futura, do programa Conexão Futura

Paloma Silva Santos

Geografia / Fundamental I
Projeto: Feira livre: espaço de aprendizagem
EE José de Alencar Cardoso
Aracaju, SE

As situações de discriminação contra quem trabalhava na feira deram à professora Paloma a oportunidade de discutir vários conteúdos da sua disciplina, como as relações de trabalho, os setores da Economia e a dinâmica entre a cidade e o campo. Para atingir seus objetivos, ela conduziu a garotada em uma exploração por vários conceitos da Geografia que ajudaram a refletir sobre a feira livre como um espaço social. O projeto incluiu também uma visita à feira do Bugio, bairro em que a escola está localizada. Lá, eles coletaram informações que depois foram analisadas pela turma, em um link direto entre a realidade próxima e as temáticas da Geografia.

Leia a reportagem no G1: Professora de Sergipe é um dos dez vencedores de prêmio nacional

Leia a reportagem em Nova Escola: Feira livre: espaço de aprendizagem

Rosana Maria Pichuti Gandolphi

Alfabetização / Fundamental I
Projeto: Quem canta…
EMEF Odair de Oliveira Silva
Meridiano, SP

Em uma turma multisseriada (de 1º e 2º ano) de uma escola do campo, a professora Rosana resgatou as cantigas e as parlendas recitadas ao pular cordas. A atividade é comum na rotina do pequeno vilarejo, onde as brincadeiras de rua ainda prevalecem como passatempo preferido das crianças. Para avançar no sistema de escrita alfabético, os alunos registraram textos que sabiam de memória, participaram de situações de escrita coletiva, aprenderam uma variedade de cantigas e interagiram uns com os outros para produzir textos. Eles  desenvolveram comportamento de leitor e escritor e também ampliaram o vocabulário. Ao final do projeto, confeccionaram um livrinho de cantigas para ser entregue à turma da creche.

Leia a reportagem em Nova Escola: O trunfo da sala multisseriada

Valter Pereira de Menezes

Ciências / Fundamental II
Projeto: Água limpa para os curumins do Tracajá
EM Luiz Gonzaga
Parintins, AM

Para as cerca de 600 pessoas que vivem na comunidade ribeirinha de Santo Antônio do Tracajá, um dos maiores problemas era o uso da água. Sem rede de esgoto nem água potável encanada, a incidência de problemas de saúde era muito grande. O professor Valter elaborou um projeto para envolver a turma de 9º ano em discussões sobre a importância desse recurso e os estimulou a pensar em estratégias para solucionar o problema. Depois de pesquisas, leituras de textos, e por meio de uma parceria com ONGs locais, escola e comunidade trabalharam juntos para instalar filtros de areia e fossas biológicas nas casas da região. O projeto ajudou a proteger a saúde da população e preservar o meio ambiente.

Leia a reportagem em Nova Escola: Água limpa para os curumins do Tracajá

e Educadores Nota 10 estão entre os melhores do mundo, sobre a indicação entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize em 2016

Vânia Emília Dourado

Ciências / Fundamental I
Projeto: Vou Contar um Segredo!
EM Leolino José Fernandes
Iraquara, BA

Vânia decidiu tratar de um tema muito presente para as crianças do 1º ano: o pum. Como o assunto sempre era debatido com as turmas em que dava aula – quando surgia um cheiro estranho, os alunos iniciavam uma caçada para encontrar o responsável por “empestear a sala” –, ela decidiu explorar os conteúdos científicos por trás do assunto. Com leituras de textos informativos, análise de imagens científicas e experimentos, as crianças aprenderam sobre a digestão, a formação dos gases e o porquê do fedor. Todo o conhecimento acumulado no projeto foi reunido pelas crianças e organizado para ser exposto em um painel. O objetivo da turminha era compartilhar as informações que aprenderam e passar uma mensagem da maior importância: soltar pum é algo absolutamente natural.

Leia a reportagem em Nova Escola: Soltaram um pum na classe