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Educador Nota 10

Os vencedores de 2008

Veja mais sobre os 10 professores e uma gestora premiada na 11ª edição do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10

Uma grande festa, apresentada pela atriz Alessandra Negrini, lotou a Sala São Paulo na noite de 13 de outubro para a celebrar o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. A maior comemoração da valorização do professor, em sua 11ª edição, foi organizada pela Fundação Victor Civita (FVC) com patrocínio do Grupo Positivo e da Energias do Brasil (EDP). Neste ano, o número de inscrições foi recorde: cerca de 5 mil – 50% superior à versão anterior. Os trabalhos foram analisados em 2 meses por uma equipe de 14 selecionadores. Os educadores das escolas públicas foram os que mais inscreveram projetos, com 82%. A Língua Portuguesa foi tema preferido pelos professores, com 22%, e as mulheres foram as que mais aderiram ao prêmio (88%).

“A cada ano, os projetos nos surpreendem pela criatividade e pela visão inovadora que trazem para o tema educação”, afirmou a vice-presidente da Fundação Victor Civita, Claudia Costin. Cada um dos dez educadores Nota 10 recebeu um troféu e R$ 10 mil. O Educador do Ano – profissional cujo projeto de ensino mais se destacou de acordo com os jurados, além desses prêmios, ganhou uma bolsa de estudos para cursar pós-graduação em uma instituição de ensino a sua escolha.

A grande vencedora foi a professora de Matemática Andréia Silva Brito, do interior de Rondônia. Elogiada por seu projeto de geometria para a 6ª série, ela foi eleita por um time de jurados composto por:

  • Âmbar de Barros (coordenadora do Núcleo Infanto-Juvenil da Fundação Padre Anchieta),
  • Bernardete Gatti (diretora de pesquisas da Fundação Carlos Chagas),
  • Claudio de Moura e Castro (presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras),
  • Fernando Almeida (vice-presidente da Fundação Padre Anchieta),
  • Lino de Macedo (professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo),
  • Mozart Neves Ramos (presidente-executivo do Compromisso Todos pela Educação),
  • Regina Scarpa (coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita).

A cerimônia teve apresentações musicais da Orquestra Popular de Câmara, do rapper Rappin´Hood, da dupla de repentistas Caju & Castanha e do cantor Seu Jorge. Entre as presenças ilustres estiveram o Governador de São Paulo, José Serra, o Ministro da Educação, Fernando Haddad.

Aos dias que se seguiram à festa aconteceu a 3ª Semana de Educação, organizada pela Fundação Victor Civita e pelo SESC, com palestrantes de renome internacional como o francês Gérard Vergnaud e o argentino Héctor Ponce, especialistas e pesquisadores em didática da Matemática, a argentina Mirta Castedo, da áreas de produção textual e Claudia Molinari, especialista em alfabetização inicial.

Ademir Pereira Junior

Matemática / Fundamental I
Projeto: Cálculo mental e registros em portfólio
Colégio Estadual Adaile Maria Leite
Maringá, PR

Uma vez por semana, as aulas de Matemática da 5ª série eram dominadas pelo silêncio. A turma se concentrava em desenvolver estratégias para resolver, de cabeça, as contas propostas pelo professor Ademir. Cada aluno registrava como tinha pensado e montado o raciocínio para depois trocar essas informações com os colegas e socializar ideias e propostas. O objetivo principal dessas aulas de cálculo mental era que todos refletissem sobre o processo de aprendizagem e explicassem com as próprias palavras como chegavam ao resultado.  Dessa forma, percebiam que o caminho percorrido era tão importante quanto a solução encontrada. Ademir levava para casa todo fim de semana os 37 portfólios para acompanhar a evolução e as dificuldades dos estudantes. O professor planejava em detalhes as sessões da atividade para impulsionar os alunos a trabalhar como os matemáticos – buscando as melhores estratégias (e mais econômicas) para calcular, abandonando as que não funcionavam.

Leia a reportagem de Nova Escola: Cálculo pensado

Adilma de Sousa Oliveira – Gestora Nota 10

Coordenadora pedagógica / Fundamental I
Projeto: Formação continuada dos professores na escola para formação de alunos leitores e escritores
EMEF Serafina Carvalho
Itupiranga, PA

Na EMEF Serafina Carvalho, a 572 km de Belém, cerca de 80% dos alunos não têm contato com material escrito em casa. Para essas crianças, a possibilidade de estudo só acontece nas aulas de Língua Portuguesa. Mas, como em outras tantas escolas brasileiras, os professores ali limitavam-se a propor redações escolares. O resultado era uma grande dificuldade de compreender textos simples e se expressar com clareza na escrita. Esse triste quadro começou a mudar em 2006, quando a coordenadora pedagógica Adilma assumiu a responsabilidade de promover um programa de formação continuada. Instituiu revisões coletivas semanais com a equipe para analisar as práticas realizadas e avaliar quais faziam os alunos avançarem.  A iniciativa permitiu que os professores da escola aprendessem e ensinassem a construir textos de qualidade. Leituras diárias em voz alta e atividades em vários gêneros textuais começaram a fazer parte da rotina. E os estudantes passaram a escrever com propósitos específicos e sempre bem definidos.

Leia a reportagem de Nova Escola: Todos aprenderam a produzir textos

Andréia Silva Brito - Educadora do Ano

Matemática / Fundamental II
Projeto: Descobrindo poliedros e corpos redondos
EEFM Carlos Drummond de Andrade
Presidente Médici, RO

A professora Andréia resolveu trocar as definições de poliedros, prismas e corpos redondos por uma atitude mão na massa para que seus alunos do 6º ano compreendessem melhor os elementos geométricos. A sequência didática proposta pela educadora incluiu atividades de observação, descrição, representação e classificação de poliedros e corpos redondos. Os estudantes deveriam dividir os objetos em grupos conforme suas características, diferenciar o desenho formado por faces pintadas e carimbadas e montar poliedros em classe usando massa de modelar e palitos. Todos ainda fizeram maquetes tomando por base as construções reais da cidade, fazendo conexão entre a geometria e assuntos do cotidiano. O envolvimento garantiu que a turma efetivamente aprendesse geometria, ficando craque em ângulos, arestas, faces, as diferenças entre as formas e sua classificação.

Leia reportagem em Nova Escola: A geometria que faz a diferença

Débora Tura

Língua Estrangeira / Fundamental II
Projeto: Blog – aprendendo inglês na Internet
EEEB Dom Pedro I
Quevedos, RS

No interior do Rio Grande do Sul, 398 km de Porto Alegre, os 13 alunos da 5ª série de Débora tiveram em 2008 suas primeiras aulas de inglês. Além disso, a metade da turma foi apresentada aos computadores. Em apenas 4 meses, todos já postavam textos no novo idioma na internet. Os assuntos eram os mais variados: vida pessoal, família, viagens, o que faziam no tempo livre. O mais importante foi aprenderem a se comunicar na língua estrangeira – alguns leitores dos blogs viraram amigos dos estudantes e a troca de mensagens era sempre feita em inglês. Antes de iniciar o projeto, a professora pesquisou trabalhos semelhantes em outras escolas e apresentou o gênero à classe. Após dominarem a estrutura das frases e se familiarizarem com o vocabulário básico, nasceram os blogs coletivos. Só mais tarde vieram os individuais. O resultado rápido foi fruto de muito trabalho: além das duas aulas semanais, a garotada se reunia com Débora outras quatro horas no contraturno.

Leia a reportagem de Nova Escola: Idioma que vem da web

Elaine Terezinha Mattioli

Matemática / Fundamental I
Projeto: Resolução de problemas – medidas e cálculos
EE Joaquim de Abreu Sampaio Vidal
Pirangi, SP

Foi uma lacuna em sua formação inicial que fez a professora Elaine cursar uma especialização em Matemática.  Depois disso, a educadora, que sempre preferiu lecionar Língua Portuguesa a outras disciplinas nas séries iniciais, conseguiu excelentes resultados com sua classe de 3ª série. O tema de seu projeto foi a resolução de problemas e o consumo de água permeou os conteúdos ensinados. Depois de levantar hipóteses para os problemas em sala de aula, todos foram para o pátio, abriram torneiras e encheram vasilhames diferentes para aprender medidas. Com cronômetros, foi calculada a vazão da água. E fitas e barbantes serviram para cálculos de área e perímetro. Em vez de apresentar fórmulas, ela levou as crianças a desenvolver raciocínio lógico, além de valorizar o percurso realizado na hora de solucionar as questões propostas. Um efeito colateral positivo foi que a turma tomou consciência da necessidade de economizar água.

Leia a reportagem de Nova Escola: Solução na medida

Herivaldo Alves Pereira

História / Fundamental II
Projeto: Bertioga – Macau: diversidade cultural e intercâmbio postal
EE Professora Maria Aparecida Pinto de Abreu Magno
Bertioga, SP

Os alunos da 7ª série de Herivaldo estudaram a história local de Bertioga, onde vivem, e fizeram intercâmbio de cartões postais com Macau, ex-colônia portuguesa, buscando os laços históricos entre as duas localidades. O professor contou a eles que Forte São João, uma grande construção branca bem conhecida da turma, foi erguido em 1547 no encontro da praia da Enseada com o rio Itapanhaú para proteger o canal dos ataques de índios. Ele é uma das fortificações feitas nas colônias descobertas pelos portugueses na América, na África e na Ásia. Para conhecer melhor essa história, o educador coordenou uma troca de correspondência com estudantes que vivem em Macau, na China. Nas cartas e fotos apareceu um pouco do que é a vida no litoral brasileiro e na cidade chinesa. A turma percebeu coisas em comum, como a língua, e entendeu melhor em que contexto se construiu o passado das colônias portuguesas.

Leia a reportagem em Nova Escola: Comparações culturais entre ex-colônias portuguesas

Inês Prates Galindo Borges

Ciências / Fundamental I
Projeto: Cata-pilhas
Escola de Educação Básica e Profissional Fundação Bradesco
Marília, SP

As crianças do 1º ano discutiram nas aulas de Ciências os problemas ambientais causados pelo descarte de pilhas no lixo comum. Tudo começou quando, acostumadas a separar materiais para reciclagem, elas levaram pilhas e baterias usadas para a sala de aula e foram alertadas de que esse tipo de material não pode ser misturado aos outros. Para iniciar o projeto, Inês pediu para depositarem as pilhas numa garrafa PET na própria sala. Com ajuda de revistas, livros e textos científicos, a professora explicou a contaminação do solo e da água quando o descarte não é feito da maneira correta. Os conceitos mais difíceis eram explicados por Inês e os estudantes ficaram íntimos de substâncias como cádmio, chumbo e mercúrio. No laboratório, puderam observar uma pilha por dentro. Todos acompanharam entusiasmados os vários passos da pesquisa, como a busca por informações, a análise dos dados e o registro das investigações.

Leia a reportagem em Nova Escola: Iniciação Científica nas séries iniciais

Joaton Suruí

Língua indígena / Fundamental II
Projeto: Escrevendo nossa língua Paiter Suruí
Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental Sertanista José do Carmo Santana
Cacoal, RO

Morador de uma das 27 aldeias indígenas da etnia paiter suruí localizadas entre Rondônia e Mato Grosso, Joaton fez um trabalho precioso para a cultura de seu povo. A língua falada pelos 1,2 mil habitantes dessas aldeias não tinha registros escritos e os conhecimentos eram passados de forma oral. Com a ajuda de dois linguistas, em 2007, a língua passou a ser normatizada, com a criação de alfabeto e gramática. Assim, seus alunos de 6º ao 9º ano, de classe multisseriada na zona rural de Cacoal, município localizado a 455 quilômetros de Porto Velho, puderam começar a escrever histórias  que antes eram só contadas pelos índios. Eles aprenderam a escrita da língua materna, além de serem alfabetizados em português. O professor chamou seu pai para recuperar o mito do gavião-real para as crianças, gravou a narração e usou as aulas seguintes para transcrever o relato. A revisão foi feita de forma coletiva e virou livro – o primeiro a ser publicado em paiter suruí.

Leia a reportagem de Nova Escola: Nasce o registro de uma língua indígena

Jorge Luiz Marques de Moraes

Língua Portuguesa / Fundamental II
Projeto: Ariano e podcast: o casamento suspeitoso
Colégio Pedro II – Unidade Engenho Novo II
Rio de Janeiro, RJ

O escritor pernambucano Ariano Suassuna é conhecido por levar para o papel características linguísticas do modo de falar do sertão nordestino. Ler seus livros é como manter um diálogo com um autêntico sertanejo. Nas aulas de Língua Portuguesa, porém, é raro ver bons trabalhos sobre a oralidade. Jorge Luiz uniu a obra de Suassuna à produção de podcasts, programas de áudio disponibilizados via internet. Os alunos da 8ª série mergulharam na obra do escritor, investigaram sua história e selecionaram aspectos biográficos e bibliográficos para incluir nos programas. O professor ajudou-os a redigir os roteiros e a perceber que, na linguagem oral, o ritmo e a forma como as palavras são encadeadas fazem muita diferença. Já os responsáveis pela área de informática educativa ensinaram a gravar os programas. A produção dos podcasts literários fez a turma identificar as peculiaridades linguísticas das conversas e aprender a organizar as informações para serem compreendidas pelos ouvintes.

Leia a reportagem de Nova Escola: Podcasts sobre Ariano Suassuna, um casamento proveitoso

Luciana do Nascimento Santos

Arte / Educação Infantil – Pré-escola
Projeto: África – Brasil: Origens africanas num país chamado Brasil
CEI Santa Escolástica – Mosteiro São Geraldo
São Paulo, SP

As crianças de 5 e 6 anos do CEI tocam pandeiro, zabumba e bateria com ritmo e cadência de gente grande. Também sabem dançar muito bem ao som do côco, do baião e da ciranda. O mérito é de Luciana, que ensinou os pequenos a tocar instrumentos de percussão de verdade (não brinquedos ou imitações) e a dançar os ritmos tradicionais brasileiros para entender as influências africanas da nossa cultura. O objetivo era ampliar o universo cultural, apresentar conceitos básicos da história do Brasil, aumentar o conhecimento sobre o continente africano e entrar em contato com heranças culturais da África na vida cotidiana brasileira. Ao longo do trabalho, a educadora utilizou textos diversos, mapas e lendas, além de obras de arte que retratam o negro e a época da escravidão. A turminha até foi visitar o museu Afro-Brasil, na capital paulista. A cada passo do trabalho, a criançada registrava tudo num grande painel montado na sala, testemunha da aprendizagem.

Leia a reportagem em Nova Escola: Pesquisa com ritmos africanos 

Maria Helena Klein

Geografia / Fundamental I
Projeto: Interação escolar e meio-ambiente – uma proposta de intervenção pedagógica em defesa do Rio Santa Maria da Vitória
EMEF Francisco Lacerda de Aguiar
Vitória, ES

Maria Helena desenvolveu um projeto sobre o bioma local e o conceito de bacia hidrográfica, estudando com sua turma de 2ª série o rio Santa Maria da Vitória, que passa na capital do Espírito Santo. Depois de pesquisar em livros, mapas, jornais e sites, as crianças perceberam que o rio era muito maior do que o pedaço que conheciam e era compartilhado pelas diferentes comunidades às suas margens. E que sua preservação dependia da conscientização de todos.   Para introduzir esses conteúdos complexos, a professora conduziu a garotada numa pesquisa de campo até a nascente, passando também por outros dois municípios. Antes de viajar, a turma trocou correspondências com estudantes de outras duas escolas, o que ajudou a entender as diferenças culturais. Além dos desenhos de observação, os alunos entrevistaram agricultores, catadores de siri e outros habitantes para saber como eles se relacionam com as águas do mesmo rio.

Leia a reportagem em Nova Escola: Um rio em minha vida