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Educador Nota 10

Educadores Nota 10 de 2016

Conheça os vencedores e os projetos da 19ª edição do Prêmio

Um ano após a tragédia, projeto sobre a água do Rio Doce vence 19ª edição do Prêmio, que defende o tema “Na educação de qualidade todos aprendem juntos”

O jovem professor capixaba de Ciências e Química Wemerson da Silva Nogueira, de 25 anos, mereceu o prêmio de Educador do Ano na cerimônia do dia 17 de outubro no Teatro Santander, localizado na zona sul de São Paulo. A façanha do docente, selecionado pelo projeto ‘Filtrando as Lágrimas do Rio Doce’, foi instigar seus alunos do 8º ano de uma escola estadual na cidade de Boa Esperança, no Espírito Santo, a estudar os impactos causados na água do Rio Doce pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015.

Os estudantes colheram amostras e identificaram os elementos químicos presentes na água, contextualizando a tabela periódica, que foi descrita em detalhados portfólios. “Foram os próprios alunos que tiveram a ideia de filtrar a água poluída usando mecanismos como filtros de areia”, contou o professor. Na prática, se realizou a temática do prêmio: “Na educação de qualidade todos aprendem juntos”. A turma se mobilizou para buscar as melhores soluções, após entrevistar ribeirinhos e entender sua delicada situação. “Wemerson colocou os alunos frente a um problema ambiental e social em processo que atinge não só os recursos naturais como também a comunidade local”, comentou o selecionador de Ciências Mário Domingos.

Para a academia de jurados, sobressaiu também o quanto os alunos, mobilizados em torno dos conhecimentos, se sentiram empoderados, com força para mudar uma situação dramática como a da falta de água. Nesta 19ª edição, os convidados para o júri foram: Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec; Cláudia Davis, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e professora da PUC-SP; Lino de Macedo, professor titular do Instituto de Psicologia da USP; Mônica Dias Pinto, gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho e Maggi Krause, jornalista e consultora da Associação Nova Escola.

A festa de premiação teve como mestre de cerimônias a jornalista Sandra Annenberg, da Globo. O ministro da Educação, Mendonça Filho, e o secretário da Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini, marcaram presença.  Além disso, a cantora Negra Li foi a atração musical que animou a noite para celebrar projetos vencedores de diferentes segmentos. Na maioria deles, os alunos foram protagonistas, dedicando-se, por exemplo, à criação de games para aprender Matemática, pesquisando as tartarugas marinhas durante o processo de alfabetização ou construindo maquetes da casa tradicional da tribo para entender suas raízes indígenas. O número de trabalhos recebido em 2016 foi recorde: 4.221 inscrições, número 16% maior que o de inscritos em 2015 e o maior desde 2008. Conheça abaixo os 10 premiados. 

Carlos Eduardo Canani

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(Edu Lyra/Nova Escola)

Língua Portuguesa/Fundamental II
Por um fio de memória
EMEB Suzana Albino França
Lages, SC

O professor notou que seus alunos não tinham o hábito de planejar textos e apresentavam pouca familiaridade com as estratégias de revisão. Além disso, chamou sua atenção a visão negativa que os adolescentes tinham da velhice e das narrativas contadas pelos mais velhos. Para que os estudantes pudessem atribuir novos significados a essa etapa de vida e às histórias narradas pelos avós, ele optou por trabalhar o gênero memórias literárias. Dessa forma, estimulou os alunos a criar e editar textos e, de quebra, os levou a valorizar as experiências dos mais velhos. Saiba mais sobre o projeto.

Débora Gomes Gonçalves

Língua Portuguesa / Alfabetização
Tartarugas Marinhas
EM João Francisco dos Santos
Mata de São João, BA

Para criar boas situações de leitura e de escrita para os alunos de 2º ano se alfabetizarem melhor, a professora orientou a pesquisa em textos informativos relacionados às tartarugas marinhas. O objeto de estudo foi escolhido para aprofundar a relação das crianças com o Projeto Tamar, que se encontra dentro do município e emprega alguns pais da comunidade escolar.  A partir do trabalho, os alunos de Débora passaram a admirar com outros olhos esses animais marinhos presentes em seu dia a dia. Saiba mais sobre o projeto.

Fabio Augusto Machado

Geografia
A construção da identidade
EMEF Professora Marili Dias
São Paulo, SP

Em uma realidade de desvalorização do jovem da periferia, o trabalho constrói um percurso a partir da questão “Quem sou eu” e utiliza as múltiplas linguagens da Geografia: produções textuais, fotografia, música, vídeos, representações espaciais.  A ideia do protagonismo e da autoria é trabalhada ao longo de todo projeto e permite aos alunos descobrirem suas múltiplas identidades e criatividade.  Assim, com liberdade de reflexão e versos de rap, os estudantes de Morro Doce, em São Paulo, construíram sua identidade a partir do lugar onde vivem e lançaram seu olhar crítico sobre o mundo globalizado, rejeitando “rótulos”. Saiba mais sobre o projeto.

Greiton Toledo de Azevedo

Matemática / Fundamental II
Matemática e games? Eis a questão!
EM Irmã Catarina Jardim Miranda
Senador Canedo, GO


O Mattics (nome dado ao projeto) nasceu de uma necessidade de atender os estudantes que apresentavam dificuldade em Matemática e também para incentivar aqueles que apresentavam bons rendimentos. Foi idealizado não somente para satisfazer o gosto dos estudantes pelos jogos digitais (que foram desafiados a criar usando o software Scratch), ou para prepará-los a seguir uma carreira profissional como programadores, mas para incentivá-los, por meio das tecnologias e das atividades colaborativas, a pensar e a expressar suas ideias matemáticas de forma crítica. Saiba mais sobre o projeto.

Karin Gröner

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(Raoni Maddalena/Nova Escola)

Língua Portuguesa / Fundamental I
Leitura Dramática
EE Professor Fernando Brasil
Curupá, SP

Um número elevado de crianças do 5º ano apresentava grande dificuldade na interpretação de textos. Após toda a preparação para a realização de uma leitura dramática, registrada em CD para a biblioteca da escola, que foi gravada na rádio local, houve uma significativa melhora da fluência leitora dos alunos, considerando que a leitura fluente não é apenas a capacidade de ler com agilidade, mas sobretudo a de alcançar a compreensão do texto. Além disso, soltar a voz na rádio também contribuiu para dar confiança aos alunos. Saiba mais sobre o projeto.

Luiz Weymilawa Surui

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(Marcus Mesquita/Nova Escola)

Geografia
Lap Gup: Nossa Casa, nosso lar
EIEFM Sertanista José do Carmo Santana
Cacoal, RO

O professor intencionou que a turma superasse, por meio do estudo da casa Lap Gup, alguns preconceitos relativos ao saber do seu povo. Além disso, na escola, quis mostrar novas alternativas de sobrevivência e preservação do etnoconhecimento do Povo Paiter. Fundamentado na concepção geográfica do lugar como pertencimento e territorialidade, conseguiu fortalecer a identidade indígena ensinando sobre elementos da cultura material como a construção da casa e seus artefatos. Lap Gup é uma casa especial, cujo conhecimento sobre sua arquitetura é dos mais velhos. Aprender sobre essa casa é entender o lugar e os saberes Paiter. Esse é um conhecimento ancestral das tradições indígenas importante para alunos indígenas e não indígenas, já que a casa é expressão do pertencimento.  Saiba mais sobre o projeto.

Marilei Chableski

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(Edu Lyra/Nova Escola)

Educação Infantil – Creche
Pé com café
CEI Adhemar Garcia
Joinville, SC

Marilei organizou ambientes, atividades e experiências que consideram as características individuais das crianças e as expectativas das famílias na chegada à Educação Infantil. O objetivo era fazer com que os bebês se sentissem acolhidos, desenvolvessem relações de afeto e confiança com os adultos do CEI e também com as outras crianças. Com relação às famílias, também havia a expectativa de que fossem bem recebidas e de que participassem realmente da rotina da creche. Saiba mais sobre o projeto.

Rodrigo Froés

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(Joel Rosa/Nova Escola)

Gestor – Diretor / Fundamental II
Escola de Qualidade, Responsabilidade de Todos
EM Antônio Matias Fernandes
Manaus, AM

A EM Antônio Matias Fernandes, situada em área vermelha da cidade de Manaus, com taxas de criminalidade alarmantes, necessitava de mudanças urgentes. Alguns dos sintomas eram os altos índices de evasão e a ameaça de fechamento da Educação de Jovens e Adultos (EJA). De forma intensiva e persistente, o novo diretor fez um levantamento das necessidades da escola e dialogou com todos os setores com a intenção de valorizar o potencial de cada funcionário, aluno e familiar. O objetivo era melhorar a infraestrutura e motivar a equipe pedagógica, para aprimorar a qualidade das ações ali realizadas. Ao articular com habilidade os saberes de funcionários, professores, pais e alunos e envolvê-los na busca de soluções, o jovem gestor transformou uma escola em plena região de criminalidade. Saiba mais sobre o projeto.

Selene Coletti

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(Alexandre Battibugli/Nova Escola)

Matemática / Fundamental I
Mapas do tesouro que são um tesouro
EMEB Coronel Francisco Rodrigues Barbosa
Itatiba, SP

O objetivo de Selene era contribuir para a construção da noção de espaço, aprimorando os conceitos de lateralidade, pontos de referência e representações gráficas de percursos. Isso inclui aprender sobre a localização de pessoas e objetos no espaço, fazer a comunicação e a interpretação de deslocamentos e trajetos por meio de desenhos e instruções orais ou escritas. A proposta aos alunos foi planejar e desenhar um mapa do tesouro. Para dominar os segredos dessa prática, as crianças experimentaram jogos de percurso, analisaram e detalharam com cuidado as próprias produções. Saiba mais sobre o projeto.

Wemerson da Silva Nogueira - Educador do Ano 2016

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(Diana Abreu/Nova Escola)

Ciências / Fundamental II
Filtrando as lágrimas do Rio Doce
EEEFM Antônio dos Santos Neves
Boa Esperança, ES

O estudo da tabela periódica, de difícil compreensão e nada atraente, necessitava de outra abordagem didática. Dessa forma, o professor escolheu partir do fato ambiental – a contaminação pela lama –, e da análise química da água para abordar os elementos da tabela de forma contextualizada. O outro objetivo era levar os estudantes a terem uma visão diferente da pesquisa científica e a pensarem na comunidade ribeirinha de forma a intervir positivamente frente à situação presenciada. Na postura de jovens pesquisadores, os alunos de Wemerson analisaram as condições das águas, apreenderam a tabela periódica de um jeito inovador e encontraram soluções práticas para melhorar a qualidade de vida dos ribeirinhos. Saiba mais sobre o projeto.