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Educador Nota 10

Conheça os 10 Vencedores do Prêmio Educador Nota 10

Eles representam os milhares de bons professores e gestores brasileiros que acreditam em uma educação básica de qualidade.

ARABELLE CALCIOLARI

Língua Estrangeira – 4º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental
Os Beatles – seu tempo e sua história
EMEB Maria Angélica Lorençon
Jundiaí, SP

Arabelle colocou em prática a visão de aprendizagem do idioma estrangeiro que prioriza a exposição dos alunos à língua autêntica e viva. Ela sabia muito bem onde queria chegar, mas modulou as etapas de sua sequência didática sobre os Beatles de acordo com a curiosidade dos alunos 4º ano, aguçada pelos materiais de qualidade levados para a sala aula. A professora apresentou oito canções da célebre banda inglesa, cada uma por meio de exercício de listening diferente, variando as estratégias. Em seguida, as letras não foram traduzidas, aconteceram conversas sobre o que as crianças entenderam, construindo a compreensão de maneira coletiva. A história de cada composição, informações sobre o contexto das décadas de 1960 e 1970 e o engajamento político que a banda adotou foram acrescentadas por Arabelle e assim a turma entrou em contato com questões como a segregação racial e a guerra do Vietnã.

“Vi alunos emocionados ao término de vídeos com canções dos Beatles, interessados em entender o que foi a segregação racial e com vontade de conhecer mais sobre as músicas e as conquistas da banda.”

Divulgação: Vencedora_Jundiaí (SP)_vf

JOICE LAMB

Gestora Escolar – Coordenadora Pedagógica / Ensino Fundamental
#aprenderecompartilhar – Escola inovadora
EMEF Profª Adolfina J. M. Diefenthäler
Novo Hamburgo, RS

Em conjunto com sua equipe, Joice se dedica continuamente à articulação pedagógica, à formação continuada e à gestão de projetos que enfocam experiências de autoria de profissionais e estudantes. Isso tudo caracteriza um jeito de ser Adolfina, como a escola é chamada, inspirado na convicção de que todos podem aprender e compartilhar saberes e na valorização do trabalho coletivo. A inovação pedagógica acontece em diversos projetos. No #foradacaixa, alunos de diferentes idades e turmas participam de atividades juntos, sob o acompanhamento de professores. No projeto de Iniciação Científica, alunos do ensino fundamental escolhem temas de pesquisa, colegas de equipe e professores orientadores para realizar um estudo que é apresentado na Feira Anual de Iniciação Científica. A escola também tem propostas inovadoras para instigar a aprendizagem da Matemática e a produção de poemas. Inscrita no prêmio, #aprenderecompartilhar é uma ação ampla que articula todos os projetos e chama a comunidade escolar para avaliar as atividades pedagógicas e propor encaminhamentos, correções de rota e melhorias.

“Hoje sou muito mais consciente da importância de cada um no processo educativo. Aprendi a ouvir os professores e os alunos e a tentar transformar essas falas em ações e as ações em projetos.”

Divulgação: Vencedora_Novo Hamburgo (RS)_vf

JULIANA ROHSNER

Gestora Escolar – Diretora / Ensino Fundamental e EJA
Gestando sonhos, alcançando metas!
EEEFM Jones José do Nascimento 
Serra, ES

Quando Juliana assumiu a direção da Jones, a escola era considerada uma das mais violentas do Estado e enfrentava problemas crônicos de indisciplina, vandalismo e baixa aprendizagem. Para transformá-la, foi fundamental ouvir a comunidade interna e externa, observar e propor intervenções de forma respeitosa, aproximando-se das necessidades da comunidade e das expectativas dos pais. O caos foi vencido pelo diálogo, pela organização dos espaços, pelo limite, pela oportunidade de sair e conhecer outros ambientes educativos, pelo ensino. A diretora fortaleceu lideranças democráticas como o grêmio estudantil e o conselho escolar, mas sua maior vitória foi envolver os professores em um trabalho colaborativo para traçar ações pedagógicas e alcançar metas de aprendizagem. Os resultados das avaliações externas foram contundentes: dos 28,6% de alunos abaixo do básico em Língua Portuguesa em 2017 sobraram apenas 3,4% em 2018. Já os proficientes passaram de 7,1% para 31%. Em Matemática, 50% dos estudantes tinham resultados abaixo do básico em 2017. No ano seguinte, eram só 13,8%. As conquistas coletivas devolveram à escola a função de acolher sonhos e dar oportunidade para os jovens.

“Acredito que somos movidos por nossos sonhos e desejos e muitas vezes um aluno criado na periferia é privado deles. O papel da escola é fomentá-los, garantindo o direito de aprendizagem de cada um.”

Divulgação: Vencedora_Serra (ES)_vf

JUSSARA C.W. SCHMITZ

Matemática – 4º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Costurando a Matemática
Escola de Educação Básica Frei Godofredo
Gaspar, SC

Ensinar matemática de maneira contextualizada à realidade do aluno foi o objetivo do projeto, que envolveu duas turmas do 4º ano. Para conhecê-las melhor, Jussara enviou um questionário para casa para que os pais pudessem “apresentar suas crianças”. Os dados obtidos serviram de referência para a produção e leitura de tabelas e gráficos em sala de aula. Não demorou para todos perceberem que em 60% das famílias havia costureiras. Em seguida, passaram a entrevistar mães e avós dos alunos em facções de costura próximas da escola para saber quantas roupas produziam por dia, a média de horas de trabalho, o valor recebido por peça e os gastos com linha e energia, por exemplo. Com os dados coletados nestas visitas, a professora organizou aulas para que a turma aprendesse sobre estatística, medidas, problemas das quatro operações, sistema monetário, porcentagens, frações, entre outros. A interação social promovida por Jussara fez as crianças valorizarem, ao mesmo tempo, o ofício das costureiras e a riqueza do conhecimento matemático presente no seu dia a dia.

“Ao visitarmos os locais de trabalho das costureiras, vivemos momentos de valorização à sua profissão e de aprendizado para os alunos, pois a riqueza do conhecimento matemático estava bem diante de nós.”

Divulgação: Vencedora_Gaspar (SC)_vf

LUIZ GUSTAVO BONATTO RUFINO

Educação Física – 3º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Ressignificando as visões sobre o corpo
Escola Municipal Odete Emídio de Souza
Paulínia, SP

Em resposta a uma pesquisa, vários alunos de Luiz Gustavo apontaram não gostarem de si e terem vergonha de seus corpos. Incomodado com a forma como as crianças têm se relacionado com a autoimagem, o professor resolveu agir. Organizou um projeto para que elas mudassem suas visões do corpo por meio de experiências significativas na Educação Física. Dividiu o trabalho em três eixos: “Eu, meu corpo e minha história”, em que explorou as possibilidades físicas de cada um em práticas de atletismo, ginástica e circo; “O outro e seu corpo”, com atividades como o delineamento do contorno dos colegas e o uso de pernas de pau em duplas e o “O corpo, suas potencialidades e limitações”. Este último eixo abordou os sentidos, oferecendo atividades sem a visão, com limitações motoras ou desafios específicos. Uma das aulas proporcionou uma vivência requisitada pelos alunos: o Parkour. Por fim, as crianças escreveram sobre o tema “O que pode o corpo?”, refletindo sobre as aulas e a imagem de si mesmos e dos outros.

“Uma quantidade expressiva de alunos apontou estar descontente com seu visual, o que me instigou a pensar em como as crianças têm compreendido e se relacionado com seus próprios corpos. Trabalhei com experiências vinculadas à Cultura Corporal de Movimento.”

Divulgação: Vencedor_Paulínia (SP)_vf

MARIANA MARTINS LEMES

Geografia – 9º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Agricultura no Brasil
EE Prof. Jácomo Stávale
São Paulo, SP

O projeto transdisciplinar envolveu as áreas de Ciências, História, Língua Portuguesa e Artes e partiu de uma questão-problema comum: Qual modelo agrário deveria receber mais incentivos do governo federal brasileiro nos próximos anos: o agronegócio ou a agricultura sustentável? Em grupos colaborativos definidos pela professora, os alunos foram se mobilizando em torno de atividades envolvendo metodologias ativas e propostas ao longo de um bimestre. Estudaram o papel da agricultura desde a formação do país (em História), seu atual impacto para a economia, a sociedade e o meio ambiente (em Geografia), as diferentes técnicas envolvidas na produção agrária, como as sementes modificadas (em Ciências), culminando na produção de um artigo de opinião (em Língua Portuguesa), no qual reuniram argumentos e se posicionaram sobre o assunto. Os avanços na compreensão dos conteúdos e na escrita ficaram evidentes nos cadernos de registro personalizados dos estudantes. Eles formaram uma visão ampliada e crítica dos principais conflitos e desigualdades socioespaciais da agricultura, e perceberam como a questão urbana e rural são indissociáveis no Brasil.

“Os alunos se expressaram com conhecimento e liberdade, argumentando com base no que estudaram nas várias disciplinas envolvidas no projeto. E ainda puderam entender o seu próprio processo de aprendizagem.”

Divulgação: Vencedora_São Paulo (SP)_vf

NILMA SLADKEVICIUS

Língua Portuguesa – EJA – multisseriada (1ª a 4ª séries) / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Um sorriso negro, um abraço negro
EMEF Luiz Bortolosso
Osasco, SP

Educandos com idade entre 24 e 71 anos, a maioria migrante do Nordeste, traziam em suas histórias de vida a forte presença do preconceito, das diferenças raciais e dos estigmas que surgem a partir deles. Em torno desse tema, Nilma organizou uma variedade de atividades para manter o interesse de todos e, ao mesmo tempo, gerar momentos potentes para os estudantes lerem e escreverem. Os preconceitos listados pelo grupo formaram listas de palavras, que levaram a discussão de relações sonoras com outras conhecidas, como seus nomes próprios. Anotações em palestras e durante uma peça teatral serviram para reflexão sobre o sistema de escrita. A professora propôs a leitura coletiva de biografias de personalidades negras e estimulou a produção de autobiografias, considerando os saberes e possibilidades de cada aluno e aluna. O sucesso do projeto foi tanto que aumentou a procura pela EJA na escola, motivando a abertura de uma segunda turma multisseriada.

“As histórias de vida dos alunos desencadearam uma rede de aprendizagens, em que
fizemos considerações a respeito do preconceito, das diferenças raciais e dos estigmas
que surgem a partir deles.”

Divulgação: Vencedora_Osasco (SP)_vf

PATRÍCIA BARRETO

Língua Portuguesa – 3º ano / Ensino Médio
Argument(ação): protagonismo juvenil
Instituto Federal do Rio Grande do Norte
Nova Cruz, RN

A professora Patrícia pediu aos alunos dos 3ºs anos que registrassem, por meio de uma foto, um problema social da cidade onde vivem. Em paralelo, trouxe para a sala de aula imagens que representavam denúncias de questões sociais. Pediu aos alunos para observá-las, identificando temas e apresentando justificativas para os diferentes pontos de vista que vinham à tona. Percebeu que os jovens falavam dos temas de forma genérica e superficial e por isso planejou estratégias que tinham como foco a argumentação e a produção de um artigo de opinião. Por meio de um  jogo criado pela professora, o Argument(ação), as turmas aprenderam diferentes tipos de argumentos e pensaram em soluções para os problemas sociais apontados. Também foram lidos e analisados artigos de opinião escritos por estudantes para a Olimpíada de Língua Portuguesa de 2016. Terminada a produção escrita, os alunos prepararam um podcast para divulgar suas ideias e evidenciar o protagonismo juvenil.

“Precisei conhecer mais sobre os municípios dos estudantes e sobre protagonismo juvenil para entender de que maneira eu poderia utilizar o artigo de opinião como instrumento para empoderar sua voz de morador.”

Divulgação: Vencedora_Nova Cruz (RN)_vf

RODRIGO SEIXAS

Sociologia – 3º ano / Ensino Médio 
Um Passeio pelos Tempos Líquidos
CIEP 493 – Profª Antonieta Salinas de Castro
Barra Mansa, RJ

Coautoria do projeto: Gleiciane Rosa Vinote Rocha

Os problemas, dilemas e desafios do século XXI trazem maneiras diversas de viver e se colocar enquanto indivíduo na sociedade. O projeto de Rodrigo fez os alunos do último ano do Ensino Médio refletirem sobre essas questões tendo como ponto de partida o conceito de “modernidade líquida” do sociólogo polonês Zygmunt Baumann. Foram trabalhados os comportamentos e valores da sociedade contemporânea e temas que afetam os jovens, como os amores e as redes sociais. Utilizando uma metodologia híbrida e ensino – que pedia para lerem ou assistirem a conteúdos antes da aula – e tendo como parceira a professora de Língua Portuguesa, o professor dividiu as turmas em grupos que se dedicaram a estudar e debater temáticas derivadas do tema gerador. Ao explicarem os “tempos líquidos” para toda a comunidade escolar, os estudantes optaram por estratégias interativas como uma roleta de perguntas da fé, um teste para medir o nível de egoísmo e uma seleção de objetos para retratar o consumismo. Manifestos verbais e não-verbais (charges, memes e tirinhas) completaram a exposição.

“Sob os novos desafios do século XXI, sinto que é imprescindível colocar os jovens como autores protagonistas da escola e auxiliá-los na educação de suas competências socioemocionais.”

Divulgação: Vencedor_Barra Mansa (RJ)_vf

RUTEMARA FLORENCIO

História – 3º ano / Ensino Médio
Histórias das Mulheres em Roraima

Escola Estadual Presidente Tancredo Neves
Boa Vista, RR

Rutemara queria que seus alunos vissem as mulheres como protagonistas na construção da História de Roraima e do Brasil, depois de constatar que elas são praticamente invisíveis nos livros didáticos e na rede. Repensando a temática usual, que as mostra na mídia como vítimas de violência, procurou enfocar profissionais em posições de liderança e luta, valorizadas por suas ações e seu trabalho. Para isso, planejou uma sequência didática que incluiu textos do livro “História das Mulheres no Brasil”, de Mary Del Priore, e preparações para captar entrevistas em vídeo. Foram ouvidas 41 mulheres sugeridas pela turma, entre elas Josidene Marques, a primeira médica indígena de Roraima, e Sara Patrícia, advogada e militante contra a violência doméstica. Os depoimentos foram analisados pelas equipes de alunos e deram origem a textos que relacionaram os acontecimentos da vida da entrevistada com as mudanças na sociedade. Para servir como fonte de pesquisa para outras turmas, os estudantes organizaram quatro documentários em vídeos e quatro sites contendo histórias das mulheres retratadas no projeto.

“Busquei mudar a perspectiva da mulher sempre vista como vítima de violência para a mulher que conquista espaço, ocupa posições de liderança e constrói a história do estado com suas ações e seu trabalho.”

Divulgação: Vencedora_Boa Vista (RR)_vf