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Elisângela Dell-Armelina Suruí

Confira aqui mais informações sobre o trabalho.

Educadora do ano de 2017

Direito à língua materna

Para ler e escrever em paiter-suruí, os alunos criaram seu próprio material de estudo

Educador Nota 10: Elisângela Dell-Armelina Suruí
E.I.E.E.F.M. Sertanista Francisco Meireles
Cacoal, RO
Alfabetização
Multisseriada (1º ao 5º ano)

Projeto: Mamug Koe Ixo Tig
Número de alunos da turma: 15
Duração do trabalho: 10 meses

Resumo do projeto:
Os alunos da classe multisseriada de 1º a 5º ano de Elisângela falam Paiter Suruí, mas tinham tanta dificuldade para escrever nesse idioma quanto para entender os materiais didáticos em língua portuguesa. Por isso, ela preparou junto com eles um caderno de atividades de escrita e leitura na língua materna, estabelecendo relações com a língua portuguesa e com a de sinais, já que existem muitos surdos entre o Povo Paiter. Considerando sua turma multisseriada, ela organizou o projeto para que todos pudessem trabalhar de acordo com seus saberes, potencializando as possibilidades dos alunos mais velhos e dando espaço para a ação dos mais novos.

Por que o trabalho foi premiado?
“Principalmente pelo cuidado da professora com a especificidade linguística de seus alunos, usuários da língua materna paiter suruí, mas que estão em contato com a língua portuguesa e por isso necessitam também desta aprendizagem. Além disso, pela clareza didática que teve ao organizar as atividades considerando as idades dos alunos, já que a turma era multietária. Ela conseguiu, por um lado, valorizar a língua materna indígena por meio de materiais didáticos organizados durante o projeto, por outro, ampliar as possibilidades de relação com os conhecimentos em língua portuguesa, registrando a cultura do povo paiter. Elisângela se colocou como interlocutora entre diferentes agentes responsáveis pela circulação e organização de informações: os próprios alunos e suas vivências, as famílias de cada um, os membros da aldeia e profissionais com maior conhecimento das especificidades da língua materna, uma vez que ela é uma professora não-indígena. Suas propostas envolveram sempre um equilíbrio entre conteúdo significativo e, ao mesmo tempo, sistematização e conteúdos específicos.” Miruna Kayano, orientadora pedagógica de séries iniciais do Fundamental, professora do curso de formação em Alfabetização e Produção de Texto da Escola da Vila, em São Paulo, e selecionadora do Prêmio Educador Nota 10